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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 2 de abril de 2026 às 12:37
A partir de abril de 2026, a educação infantil no Brasil reforça a diretriz de ampliar o acesso a creches e pré-escolas, com foco em evitar a concentração nas áreas urbanas e ampliar a oferta também nas regiões rurais de forma proporcional à população.
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A mudança foi associada à sanção de uma nova lei pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A regra passou a valer após a publicação no Diário Oficial da União no início de abril de 2026, segundo informações divulgadas por canais oficiais do Legislativo.
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Na prática, os municípios continuam responsáveis pela oferta da educação infantil, em regime de colaboração com estados e União, mas agora precisam considerar de forma mais clara onde as crianças vivem, inclusive fora dos centros urbanos.
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Antes, essa responsabilidade já existia, mas não havia um critério explícito de proporcionalidade entre áreas urbanas e rurais. Agora, a lei deixa mais claro que a oferta de vagas deve acompanhar a distribuição da população.
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A medida deve ampliar o acesso à educação infantil em regiões rurais, conforme informações divulgadas pela Agência Senado e pela Agência Câmara de Notícias.
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A mudança busca enfrentar um problema antigo. Dados apresentados em debates legislativos, com base em levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, mostram que o acesso à educação infantil ainda é desigual.
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Em 2022, cerca de 20,7% das crianças que vivem em áreas rurais estavam matriculadas na educação infantil, enquanto nas áreas urbanas esse percentual chegava a 40,3%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
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Durante a tramitação, a senadora Professora Dorinha Seabra destacou que essa diferença não apenas existe como vinha aumentando, o que reforçou a necessidade de uma regra mais clara.>
A nova lei tem como objetivo ampliar o acesso à educação infantil desde os primeiros anos, com foco na redução de desigualdades territoriais. Por isso, a expectativa de órgãos públicos, como o Ministério da Educação, e de especialistas é que a medida incentive a expansão da rede em regiões historicamente menos atendidas.
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A lei mantém uma prioridade já prevista na legislação. Os municípios devem atuar prioritariamente na educação infantil e no ensino fundamental.
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Após priorizar essa demanda, e respeitado o mínimo constitucional de aplicação em educação, os municípios também podem investir em outras etapas de ensino.
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Ao mesmo tempo em que reforça a responsabilidade dos municípios, a nova regra também aumenta a exigência sobre a atuação local, especialmente em regiões com menor estrutura.
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Surge então um desafio prático para transformar essa expansão em realidade. Não há prazo definido para a implementação, e a adaptação deve ocorrer de forma gradual.
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Levar creches e pré-escolas para áreas rurais envolve desafios de infraestrutura, transporte escolar e contratação de profissionais, fatores que variam bastante entre municípios.
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A avaliação de órgãos governamentais, como o Ministério da Educação, e de entidades do setor educacional é que a medida pode contribuir para reduzir desigualdades regionais ao longo do tempo. Também deve ampliar o acesso à educação infantil, etapa fundamental para o desenvolvimento das crianças.
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