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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 17 de maio de 2026 às 15:00
Quase 700 pontes de madeira ainda espalhadas por rodovias federais devem desaparecer do mapa nos próximos anos. O governo federal prepara uma megaoperação para substituir as estruturas por travessias de concreto e modelos mais resistentes, em uma tentativa de reduzir riscos, destravar corredores logísticos e frear o avanço do chamado “Custo Brasil”. >
Pontes circulares pelo mundo
A medida mira um dos problemas mais antigos da logística brasileira. Em várias regiões do país, pontes antigas funcionam com restrições de peso, limite de velocidade e bloqueio para tráfego simultâneo, o que atrasa o escoamento da produção e aumenta o custo do transporte nas rodovias federais. >
A ofensiva virou prioridade após a publicação da Portaria nº 305, diante do desgaste acelerado das estruturas, sobretudo em regiões com grande circulação de caminhões.>
O problema afeta corredores estratégicos usados no transporte de grãos, combustíveis, madeira e cargas industriais. Em vários trechos, as restrições forçam caminhões a reduzir a velocidade ou esperar a travessia alternada, o que aumenta filas e prolonga o tempo de viagem.>
O governo também vê as pontes de madeira como um fator que pesa diretamente no chamado “Custo Brasil”, com impacto sobre cadeias produtivas que dependem do transporte rodoviário.>
O plano prevê a retirada gradual das travessias consideradas mais vulneráveis, com prioridade para estruturas da Região Norte e de áreas afetadas por chuvas intensas, erosão e eventos climáticos extremos.>
A medida integra o programa de modernização da malha rodoviária federal, criado para ampliar a vida útil da infraestrutura e reduzir os gastos frequentes com manutenção emergencial.>
Nos bastidores, técnicos do governo calculam que o custo para substituir todas as pontes seria equivalente a poucos anos de reparos nas estruturas atuais.>
O DNIT recebeu a missão de atualizar, em até 12 meses, o cadastro nacional das pontes de madeira sob responsabilidade federal.>
A proposta é criar critérios técnicos de prioridade com base no fluxo de veículos, na importância econômica das rotas e no risco estrutural de cada travessia.>
O órgão também trabalha em modelos padronizados de engenharia para acelerar licitações e cortar custos operacionais. A intenção é repetir projetos modulares em diferentes estados e reduzir o tempo de execução das obras.>
A modernização também prevê o uso de tecnologia para monitorar as condições das novas estruturas em tempo real.>
Sensores, inspeções digitais e sistemas inteligentes devem fazer parte dos próximos contratos de manutenção rodoviária, com a função de identificar falhas antes de interdições ou acidentes.>
O governo pretende começar com um projeto piloto em dezenas de pontes antes de expandir o programa para os principais corredores logísticos do país.>