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Sinal de alerta nas rodovias: 700 pontes de madeira terão de ser substituídas nas estradas do país

Plano para substituir travessias precárias busca destravar corredores de escoamento e reduzir o "Custo Brasil"

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 17 de maio de 2026 às 15:00

Obstáculo ao progresso: Além do risco, pontes de madeira atrasam viagens e encarecem o frete, impactando diretamente o preço final dos produtos que chegam ao consumidor.
Obstáculo ao progresso: Além do risco, pontes de madeira atrasam viagens e encarecem o frete, impactando diretamente o preço final dos produtos que chegam ao consumidor Crédito: Ilustração, gerada por IA

Quase 700 pontes de madeira ainda espalhadas por rodovias federais devem desaparecer do mapa nos próximos anos. O governo federal prepara uma megaoperação para substituir as estruturas por travessias de concreto e modelos mais resistentes, em uma tentativa de reduzir riscos, destravar corredores logísticos e frear o avanço do chamado “Custo Brasil”.

A passarela circular de Lujiazui, em Xangai, envolve um grande cruzamento da área financeira e é um dos exemplos urbanos mais conhecidos de ponte em anel por Kallerna / Wikimedia Commons

Pontes precárias entram na mira do governo

A medida mira um dos problemas mais antigos da logística brasileira. Em várias regiões do país, pontes antigas funcionam com restrições de peso, limite de velocidade e bloqueio para tráfego simultâneo, o que atrasa o escoamento da produção e aumenta o custo do transporte nas rodovias federais.

A ofensiva virou prioridade após a publicação da Portaria nº 305, diante do desgaste acelerado das estruturas, sobretudo em regiões com grande circulação de caminhões.

O preço da estrada que chega à sua mesa

O problema afeta corredores estratégicos usados no transporte de grãos, combustíveis, madeira e cargas industriais. Em vários trechos, as restrições forçam caminhões a reduzir a velocidade ou esperar a travessia alternada, o que aumenta filas e prolonga o tempo de viagem.

O governo também vê as pontes de madeira como um fator que pesa diretamente no chamado “Custo Brasil”, com impacto sobre cadeias produtivas que dependem do transporte rodoviário.

Olhar atento para as estradas do Norte

O plano prevê a retirada gradual das travessias consideradas mais vulneráveis, com prioridade para estruturas da Região Norte e de áreas afetadas por chuvas intensas, erosão e eventos climáticos extremos.

A medida integra o programa de modernização da malha rodoviária federal, criado para ampliar a vida útil da infraestrutura e reduzir os gastos frequentes com manutenção emergencial.

Nos bastidores, técnicos do governo calculam que o custo para substituir todas as pontes seria equivalente a poucos anos de reparos nas estruturas atuais.

Obras mais rápidas e com "receita pronta", segundo DNIT

O DNIT recebeu a missão de atualizar, em até 12 meses, o cadastro nacional das pontes de madeira sob responsabilidade federal.

A proposta é criar critérios técnicos de prioridade com base no fluxo de veículos, na importância econômica das rotas e no risco estrutural de cada travessia.

O órgão também trabalha em modelos padronizados de engenharia para acelerar licitações e cortar custos operacionais. A intenção é repetir projetos modulares em diferentes estados e reduzir o tempo de execução das obras.

Rodovias inteligentes: o futuro além do asfalto

A modernização também prevê o uso de tecnologia para monitorar as condições das novas estruturas em tempo real.

Sensores, inspeções digitais e sistemas inteligentes devem fazer parte dos próximos contratos de manutenção rodoviária, com a função de identificar falhas antes de interdições ou acidentes.

O governo pretende começar com um projeto piloto em dezenas de pontes antes de expandir o programa para os principais corredores logísticos do país.

Tags:

Brasil Rodovias