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Perla Ribeiro
Publicado em 7 de junho de 2026 às 16:59
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu abrir uma ampla revisão sobre os pagamentos feitos a magistrados em todo o país após identificar casos de juízes que receberam mais de R$ 1 milhão em um único mês. A medida ocorre em meio ao debate nacional sobre os chamados "supersalários" no serviço público e faz parte de um esforço para aumentar a transparência e a previsibilidade das remunerações no Poder Judiciário. >
O CNJ anunciou, nessa sexta-feira (6), a criação de um grupo de trabalho responsável por analisar detalhadamente os valores pagos à magistratura brasileira. A missão da equipe será identificar, classificar e uniformizar as diversas verbas recebidas pelos juízes, tanto remuneratórias quanto indenizatórias, além de avaliar o impacto desses pagamentos sobre o teto constitucional do funcionalismo público. >
Desembargador Ibanez Monteiro teve remuneração de R$ 354 mil em janeiro
A iniciativa foi determinada pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O grupo contará com representantes do próprio CNJ, dos tribunais superiores, da Justiça Federal, da Justiça do Trabalho, da Justiça Eleitoral e das Justiças estaduais. O prazo inicial para apresentação de propostas é de 45 dias. >
O movimento ganhou força após o CNJ identificar magistrados que receberam valores superiores a R$ 1 milhão em apenas um mês. Segundo informações apresentadas pelo Jornal Nacional, o órgão pretende realizar uma espécie de pente-fino nacional para compreender a origem desses pagamentos e verificar quais verbas são efetivamente compatíveis com as regras estabelecidas pelo Judiciário e pela Constituição. >
Embora o teto constitucional atualmente esteja vinculado ao subsídio dos ministros do STF, diferentes verbas indenizatórias, passivos acumulados, férias não usufruídas, licenças convertidas em dinheiro e outros benefícios podem elevar significativamente os valores recebidos em determinados períodos. Essa complexidade gerou, ao longo dos anos, centenas de rubricas diferentes nos contracheques dos tribunais brasileiros, dificultando a fiscalização pelos órgãos de controle e pela sociedade. >
Como parte da ofensiva por maior transparência, o CNJ aprovou recentemente a criação de um contracheque único nacional para magistrados. A medida determina a padronização dos registros de pagamento e a adoção de uma tabela remuneratória unificada, permitindo que todas as verbas recebidas por um juiz apareçam de forma consolidada e comparável em qualquer tribunal do país. >
Na prática, a mudança busca acabar com sistemas paralelos de registro e com classificações distintas para verbas de mesma natureza. A expectativa é que a nova estrutura facilite a identificação de pagamentos excepcionais e aumente a capacidade de monitoramento dos gastos públicos. >
O debate ocorre em um momento de crescente pressão por maior controle sobre os chamados "penduricalhos" do Judiciário. Estudos recentes apontaram pagamentos bilionários acima do teto constitucional em diferentes segmentos da magistratura, reacendendo discussões sobre privilégios, transparência e equilíbrio nas contas públicas. >
Com o novo grupo de trabalho, o CNJ pretende apresentar critérios mais claros para a remuneração dos magistrados, reduzir divergências entre tribunais e oferecer maior previsibilidade sobre os valores pagos mensalmente à categoria. A expectativa é que as conclusões do colegiado sirvam de base para futuras regras nacionais sobre remuneração no Judiciário.>