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Wendel de Novais
Publicado em 3 de abril de 2026 às 05:30
A cada Semana Santa, a mesma dúvida reaparece entre fiéis: comer carne vermelha na Sexta-feira Santa é pecado ou apenas uma tradição simbólica? A resposta da Igreja Católica envolve regras, mas também o sentido espiritual da prática, que está diretamente ligado à memória da morte de Jesus Cristo. >
Segundo o padre Lucas Almeida, coordenador da Comissão Arquidiocesana de Liturgia (CAL) de Salvador, a abstinência de carne não se limita ao período da Semana Santa. Trata-se de uma orientação mais ampla dentro da vivência católica, que se estende por todo o ano.>
“Todo fiel católico deve abster-se de carne, ou seja, não comer carne vermelha em todas as sextas-feiras do ano”, explica o padre, ao destacar que a regra tem alcance global dentro da Igreja. A Sexta-feira Santa, no entanto, ocupa um lugar central nesse calendário. É nesse dia que a prática ganha caráter obrigatório e mais rigoroso, não apenas como tradição, mas como expressão concreta da fé.>
Mais do que evitar um alimento específico, a proposta da Igreja está ligada à ideia de penitência e reflexão. A carne, nesse contexto, aparece como símbolo de algo prazeroso que é renunciado em sinal de sacrifício. “A abstinência de carne é unir-se à paixão do Senhor. Sexta-feira tem esse símbolo forte, essa marca de unir-se à paixão e morte de Jesus. Então, toda sexta-feira é dia de oferecer penitência, algum sacrifício, algo que nos una à paixão do Senhor”, diz.>
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Apesar da rigidez na Sexta-feira Santa, há flexibilidade em outros momentos. No Brasil, por exemplo, a Igreja permite que a abstinência seja substituída por outras práticas espirituais, caso o fiel não a cumpra nas demais sextas-feiras do ano. “Pode ser substituído por uma outra penitência, uma obra de caridade ou dedicar-se a momentos específicos de oração dentro da sexta-feira. Isso substitui”, pontua o padre.>
Ainda assim, o religioso faz uma ressalva importante sobre a dimensão moral da prática. Para a Igreja, o problema não está apenas no ato em si, mas na intenção de quem o pratica. “Sim, é pecado se for feito deliberadamente, ou seja, alguém que sabe da obrigatoriedade desse dia e simplesmente decide não cumprir. É um ato de desobediência, de não levar em conta o sentido da fé”, afirma.>
A orientação, portanto, vai além de uma regra alimentar. Trata-se de um convite à sobriedade e à reflexão em um dos momentos mais importantes do calendário cristão — em que a prática externa busca refletir um compromisso interno com a fé.>