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Carol Neves
Publicado em 2 de julho de 2025 às 13:14
Com foco no uso da inteligência artificial generativa (IAGen) e nos novos desafios do jornalismo digital, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) realizou na terça-feira (1º), em São Paulo, o 3º Data Day. O evento contou com palestras, apresentações de cases e trocas de experiências entre profissionais da imprensa de todo o país. O CORREIO esteve presente com uma equipe que incluía a diretora Renata Correia e a editora-chefe do jornal, Linda Bezerra, para acompanhar as discussões e tendências.>
Ao longo do dia, nomes de referência na indústria da comunicação analisaram como a IA tem impactado a produção jornalística e os modelos de negócio da mídia. O encerramento ficou por conta do consultor Lucio Mesquita, do Innovation Media Consulting Group, que defendeu que o jornalismo deve continuar baseado em princípios clássicos, mesmo diante das transformações digitais. “O jornalismo é sobre a verdade ou não é nada”, foi uma das mensagens passadas.>
Mesquita destacou que, embora a IA possa otimizar rotinas, o conteúdo precisa continuar sendo produzido com olhar humano e foco em reportagens de qualidade. Para ele, a redação do futuro exige a integração entre profissionais de produto e jornalistas, além de uma postura firme contra o uso indevido de conteúdo jornalístico por startups de tecnologia sem compensação financeira.>
Outro destaque foi a fala do jornalista Pedro Doria, que explicou como a evolução da IA generativa, das redes neurais às LLMs, transformou a política, a comunicação e o consumo de informação. Segundo Doria, a IA é criativa, mas não é capaz de compreender o mundo real ou diferenciar fatos de desinformação. Ele defende que jornalistas dominem essas ferramentas, mas reforçou: “O conteúdo continua sendo responsabilidade do jornalista”.>
3º Data Day da ANJ
Durante o evento, foram apresentados ainda cases de inovação no jornalismo local, como o “Agregador de Pesquisas 2024”, do jornal O Povo (CE), que centraliza dados eleitorais de forma clara e acessível, e a criação da editoria de sustentabilidade do Roma News (PA), ligada à cobertura da COP30.>
Outro nome que contribuiu para o debate foi Camila Marques, da Folha de S.Paulo, que reforçou a importância do compromisso com a verificação e a pluralidade, mesmo diante das novas ferramentas digitais. Ao comentar o uso da inteligência artificial no jornalismo, ela destacou: “Os jornalistas precisam saber como usar a IA para otimizar o fazer jornalístico. Há muitas ferramentas disponíveis. Hoje é inadmissível um profissional prescindir disso”. Camila também alertou para a responsabilidade individual no uso dessas tecnologias, afirmando que, mesmo com IA, “o que publicam sob seus nomes continua sendo sua responsabilidade”.>
A equipe do CORREIO acompanhou de perto as discussões, reforçando seu compromisso com a inovação e a ética jornalística em meio aos avanços tecnológicos. >