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Elaine Sanoli
Publicado em 25 de março de 2026 às 07:00
Ao menos quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da exposição ao Césio-137 nas semanas seguintes ao acidente radiológico que chocou o Brasil em setembro de 1987. A tragédia ocorrida em Goiânia se tornou tema da série da Netflix lançada na última quarta-feira (18), Emergência Radioativa. >
O acidente ocorreu após dois trabalhadores retirarem um aparelho de radioterapia de um prédio abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). A peça chamou a atenção dos catadores Wagner Mota Pereira e Roberto Santos por conter chumbo, material com alto valor de revenda em ferros-velhos.>
Acidente com Césio-137
O equipamento continha Césio-137 na forma de um pó azul brilhante, que contaminou os dois durante o processo de desmonte e separação da carcaça, realizado na casa de um deles ao longo de cerca de três dias. Em seguida, o objeto, que pesava cerca de 200 kg, foi levado a um ferro-velho e vendido ao proprietário, Devair Alves Ferreira. No mesmo dia, os dois começaram a apresentar sintomas de contaminação.>
O dono do ferro-velho levou parte do material para casa e compartilhou o pó azul com familiares e amigos, o que contribuiu para a disseminação do Césio-137.>
Os principais afetados foram 20 pessoas que precisaram de atendimento no Hospital Geral de Goiânia. Devido à gravidade dos casos, 14 foram transferidas para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Quatro pessoas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição ao material radioativo. Duas vítimas faleceram em decorrência de hemorragias associadas à Síndrome Aguda da Radiação (SAR), enquanto outras duas tiveram infecção generalizada. Entre os 20 casos mais graves, 14 apresentaram falência da medula óssea e uma pessoa teve o antebraço amputado.>
As primeiras vítimas a morrer em decorrência da exposição ao Césio-137 foram Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos, esposa do dono do ferro-velho, e Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, sobrinha dele. O caso da menina foi um dos mais emblemáticos, pois ela havia ingerido partículas da substância radioativa.>
As outras duas vítimas eram funcionários do ferro-velho: Israel Batista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18. Ambos participaram do processo de remoção do chumbo da fonte radioativa e, por isso, tiveram alta exposição.>
Emergência Radioativa da Netflix
Além das vítimas fatais, Devair Alves Ferreira, Ivo Alves Ferreira (pai de Leide), Odesson Alves Ferreira (irmão de Devair) e o catador Roberto conviveram por anos com as sequelas da exposição à radiação.>
Ao todo, cerca de 112.800 pessoas foram monitoradas no período. Dessas, 249 apresentaram contaminação interna e/ou externa significativa. Em 120 casos, a contaminação se restringiu a roupas e calçados. As outras 129 pessoas precisaram de acompanhamento médico regular.>
Em fevereiro de 1988, foi criada a Fundação Leide das Neves Ferreira para monitorar os pacientes afetados, seguindo normas internacionais que consideram, entre outros critérios, a gravidade das lesões na pele e o nível de contaminação interna e externa.>
* Com informações do Governo de Goiás e do portal g1>