Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Perla Ribeiro
Publicado em 21 de maio de 2026 às 16:16
Presa nesta quinta-feira (21), a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, 38 anos, atuava como “caixa do crime organizado” em esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo. De acordo com os investigadores, valores da facção eram depositados em contas ligadas à influenciadora e misturados a recursos de outras atividades antes de retornarem ao grupo criminoso, dificultando o rastreamento financeiro. As informações são do G1 SP.>
Durante a investigação foram identificadas diversas transferências e depósitos bancários para a conta da influenciadora. Porém, a polícia não conseguiu estimar ainda o montante exato que saiu dessa empresa que lavava dinheiro para o PCC para as contas de Deolane. A influenciadora teve R$ 27 milhões bloqueados por determinação da Justiça. >
Deolane Bezerra surgiu com bolsa de R$ 325 mil antes de ser presa
"Entendemos ao longo da investigação que a Deolane, até pelo poder econômico que ela adquiriu ao longo do tempo e pela influência, ela funcione como uma espécie de caixa do crime organizado", afirmou o delegado Edmar Caparroz, do 2º distrito policial de Presidente Venceslau, no interior do estado, ao G1. O município é sede de uma transportadora de cargas controlada pelo PCC para movimentar recursos ilícitos, localizada próximo de um complexo penitenciário.>
Mansão de Deolane Bezerra
A investigação identificou também um fluxo complexo de movimentações financeiras envolvendo várias contas de Pessoa Física (PF) e Pessoa Jurídica (PJ) – apontado como a segunda etapa do esquema de lavagem de dinheiro, chamada de dissimulação, que tem como objetivo afastar os valores de sua origem ilícita, dificultando seu rastreamento. "O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado", acrescentou Caparroz.>
Deolane Bezerra
A influenciadora foi presa na casa dela em Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. Também havia um mandado de prisão contra Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola), considerado o chefe do PCC, que já está preso, além de parentes dele. Outros alvos presos na Operação Vérnix são Everton de Souza (vulgo Player), indicado como operador financeiro da organização, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que está em Madri.>
Troca de bilhetes em presídio deu origem à investigação>
A prisão de Deolane Bezerra na Operação Vérnix teve origem na troca de bilhetes e manuscritos apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau. Durante a análise do material, os investigadores encontraram menções a uma "mulher da transportadora", apontada nos bilhetes como responsável por levantar endereços de agentes públicos para viabilizar ataques planejados pela organização criminosa.>
Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular do homem apontado como operador central do esquema, Ciro Cesar Lemos. O conteúdo do aparelho revelou detalhes sobre o esquema de lavagem de dinheiro pela transportadora e revelou conexões financeiras com a influenciadora.>
Segundo a polícia, imagens encontradas no aparelho mostram depósitos para contas de Deolane e de Everton de Souza, conhecido como "Player", apontado como operador financeiro da organização criminosa. "O vínculo dela com a transportadora foi o pontapé inicial para a investigação, mas com afastamento de sigilos bancário e fiscal, verificamos que ela mantém relação com outras vertentes do crime organizado", declarou o delegado Edmar Caparroz durante entrevista coletiva.>
A investigação fez cruzamentos de provas apreendidas nos últimos anos com relatórios de movimentação em contas físicas e jurídicas em nome da influenciadora Deolane Bezerra para identificá-la como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorrem em depósitos em espécie, partindo do caixa do PCC por meio da transportadora de cargas, e ordenados pela cúpula da facção, segundo a investigação.>