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Desembargadora relata racismo dentro de supermercado: 'Sem a toga, sou apenas um corpo preto'

Relato foi compartilhado por Adenir Carruesco nas redes sociais

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 20 de maio de 2026 às 17:11

Desembargadora diz ter sido confundida no estabelecimento
Desembargadora diz ter sido confundida no estabelecimento Crédito: Reprodução/Redes sociais

A desembargadora federal Adenir Alves da Silva Carruesco usou as redes sociais para relatar ter sido vítima de racismo em um supermercado de Cuiabá, no Mato Grosso. Em uma publicação feita no último domingo (17), a magistrada afirmou ter sido confundida com uma funcionária do estabelecimento enquanto fazia compras. 

Segundo o relato da desembargadora, uma mulher a abordou de forma insistente para pedir informações sobre produtos e localização de mercadorias. Para Adenir Carruesco, a situação não foi um caso isolado, mas um reflexo de padrões racistas. 

“Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la”, disse. A magistrada destacou que não considera que a mulher tenha agido de maneira deliberadamente racista, mas afirmou que o episódio evidencia uma lógica social que associa pessoas negras a posições de subserviência.

“Ela agiu pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou: o lugar natural do preto é o serviço”, afirmou.  Adenir Carruesco também chamou atenção para a baixa presença de pessoas negras em espaços de poder, especialmente no Judiciário brasileiro. “Preto não ocupa espaços de poder. Preto não é juiz, preto não é desembargador. Os pretos brasileiros não estão nos tribunais superiores”, escreveu.

A desembargadora afirmou ainda que, sem a toga, passa a ser vista apenas como “mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal”. Ela também defendeu a necessidade de enfrentar o racismo estrutural.