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Perla Ribeiro
Publicado em 28 de abril de 2026 às 12:44
Nos últimos 20 anos, a quantidade de adolescentes e crianças com hipertensão quase dobrou em todo o mundo. É o que aponta um estudo publicado na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health, em novembro de 2025. Pesquisadores estimam que cerca de 114 milhões de jovens no planeta vivem hoje com a doença, conhecida por ser silenciosa. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a pressão alta afeta cerca de 30% da população.
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Embora a predisposição genética seja um fator relevante, o cardiologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Gustavo Lenci, afirma que a combinação entre estilo de vida e fatores socioambientais também pode influenciar diretamente no desenvolvimento da doença. >
A hipertensão arterial é silenciosa, mas seus efeitos não
“Além dos fatores clássicos, como sedentarismo e obesidade, devemos considerar desde a poluição e o estresse da vida moderna até a alimentação industrializada. A própria falta de segurança no local de moradia, por exemplo, é um fator que contribui para o aumento do estresse”, pontua.>
Esse conjunto de aspectos envolvidos no desenvolvimento da hipertensão arterial tem sido foco de novas pesquisas. Um artigo publicado em março de 2026 pelo Centro Universitário Assunção (UNIFAI) sobre “Determinantes socioambientais e hábitos de risco para hipertensão em jovens” aponta que indivíduos na faixa etária de 15 a 29 anos vêm apresentando aumento na antecipação dos riscos cardiovasculares. >
Diante desse cenário, o estudo defende que “o reconhecimento da pressão alta em adolescentes e adultos jovens permite intervenções mais eficazes, reduzindo complicações futuras e promovendo hábitos de saúde duradouros desde as fases iniciais”.>
Quando procurar um médico>
Silenciosa, a hipertensão costuma dar sinais apenas quando a condição já pode ser mais grave. Entre eles estão dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, visão embaçada, fraqueza, sangramento nasal e dor no peito. >
Segundo o cardiologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Vinícius Oro Popp, a persistência dos sintomas é um alerta. “A combinação de sinais que não melhoram e se intensificam ao longo do tempo indica a necessidade de avaliação médica. Também há situações que exigem atendimento imediato, como dor de cabeça muito intensa, alterações visuais, confusão mental ou dor no peito. Mesmo sem sintomas, níveis de pressão muito elevados de forma persistente devem ser investigados precocemente”, explica.>
O especialista também ressalta que pessoas com histórico familiar ou fatores de risco devem redobrar a atenção. “Mesmo na ausência de sintomas, a medição periódica da pressão é fundamental para o diagnóstico precoce”, reforça.>
Prevenção e controle>
Mudanças no estilo de vida são fundamentais para o controle da hipertensão. Entre as principais recomendações estão reduzir o consumo de sal, evitar o excesso de álcool, manter uma alimentação equilibrada — rica em frutas e fibras — e praticar atividade física regularmente, além de controlar o peso e evitar o tabagismo. >
Em alguns casos, o tratamento também inclui o uso de medicamentos. A aferição periódica da pressão arterial, inclusive em consultas de rotina, é uma das formas mais eficazes de identificar alterações precocemente e prevenir complicações.>