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Millena Marques
Publicado em 6 de maio de 2026 às 17:04
Um ex-noviço apresentou uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, conhecido apenas como frei Gilson, por declarações “discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres”. >
De acordo com o relato do jornalista e escritor Brendo Silva, que fez a denúncia, as falas utilizadas pelo religioso católico são ultrapassadas. >
“Liberdade religiosa não é liberdade para odiar. As homilias e entrevistas em que frei Gilson trata gays como doentes, ao utilizar termos ultrapassados, e associa a homossexualidade a ideias de desvio ou inferioridade, além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas. Estamos em um país com altas taxas de feminicídio e violência contra pessoas LGBT+. Isso é inaceitável”, afirmou o ex-noviço na denúncia.>
A denúncia apresenta trechos de vídeos em que o frei fala sobre o tema. “Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou”, diz frei Gilson em uma das falas.>
O jornalista ainda afirma que conviveu com “dezenas de seminaristas, padres e bispos gays” no ambiente religioso. Ele atuou por mais de dez anos como coroinha e noviço. >
Natural de São Paulo, Gilson da Silva Pupo Azevedo ingressou na vida religiosa aos 18 anos e, hoje, aos 38, segue atuando na ordem, além de liderar o grupo musical Som do Monte, que utiliza a música como meio de evangelização.>
Frei Gilson
O hábito de realizar orações na madrugada surgiu durante a pandemia e se consolidou como um momento de reflexão e conexão espiritual para milhares de pessoas. Segundo frei Gilson, o objetivo das transmissões nesse horário é oferecer conforto espiritual a quem enfrenta dificuldades ou sofre de insônia, promovendo uma conexão com a fé mesmo nas horas mais silenciosas da noite. "É um momento para acolher aqueles que estão em busca de paz e orientação", explicou o frei. >
Show de Frei Gilson no Natal de Salvador
Além das orações, frei Gilson utiliza as redes sociais para compartilhar mensagens motivacionais e ensinamentos religiosos de forma acessível, alcançando um público diversificado. Sua influência atraiu a atenção de personalidades conhecidas, como o cantor Zé Neto e o humorista Rogério Vilela, que já participaram de suas transmissões, ampliando ainda mais seu alcance. >
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestaram apoio a Gilson. Críticos apontam parcerias do frei com a produtora Brasil Paralelo e seu alinhamento ao bolsonarismo. Bolsonaro, que é católico, primeiro compartilhou uma foto do religioso em suas redes sociais sem legenda e, horas depois, publicou uma mensagem de solidariedade, afirmando que o frei se consolida como “um fenômeno em oração” e, por isso, “vem sendo atacado pela esquerda”. Ele completou: “A fé cristã nunca se curvou à perseguição e não será diferente agora. Minha solidariedade a ele e a todos que defendem os valores de Deus e da família”.>