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Carol Neves
Publicado em 6 de maio de 2026 às 13:04
Quatro irmãos brasileiros estão por trás de um império que reúne banco, mineração estratégica e uma fortuna estimada em R$ 127,4 bilhões. Walter Moreira Salles Junior, cineasta indicado ao Oscar; João Moreira Salles, documentarista e fundador da revista Piauí; Pedro Moreira Salles, banqueiro e um dos principais nomes do Itaú Unibanco; e Fernando Moreira Salles, empresário ligado aos negócios da família, formam o núcleo de herdeiros que hoje controla esse patrimônio bilionário. >
De acordo com a revista Forbes, os quatro aparecem entre as maiores fortunas do país e compartilham participações em negócios-chave como o Itaú Unibanco e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), responsável por cerca de 75% da produção mundial de nióbio. Além disso, mantêm investimentos no agronegócio e em marcas de consumo, consolidando um grupo com presença em diferentes setores da economia.>
Origem comum, fortunas compartilhadas>
Embora tenham trajetórias distintas, os quatro irmãos herdam a mesma base construída pelas gerações anteriores. A fortuna começou de forma modesta, no interior de Minas Gerais, com o avô da família, João Theotônio Moreira Salles, segundo reportagem do portal G1.>
História da família Salles
Nascido em Cambuí, em 1888, filho de pequenos agricultores, ele iniciou a vida profissional trabalhando na loja do tio. Anos depois, comprou o negócio e passou a atuar também como correspondente bancário, oferecendo crédito a produtores rurais da região.>
O café, principal motor da economia brasileira naquele período, orientava suas atividades. Ele vendia insumos e produtos para fazendeiros e trabalhadores durante a safra e financiava a produção na entressafra. Esse modelo foi a base da expansão inicial.>
Expansão e estratégia no momento certo>
A virada veio em 1918, quando decidiu se mudar para Poços de Caldas. A cidade vivia um auge econômico e social, reunindo a elite política e agrícola do país, além de contar com infraestrutura ferroviária importante para o escoamento da produção.>
No novo endereço, os negócios cresceram rapidamente. O que começou como um armazém se transformou em um centro de operações que reunia comércio e serviços financeiros. Com o tempo, João chegou a representar 13 bancos e, em 1924, obteve autorização para atuar formalmente como instituição bancária.>
Ao mesmo tempo, diversificou suas atividades, investindo em energia elétrica, telefonia e exportação de café pelo porto de Santos, buscando controlar toda a cadeia do produto.>
A geração que transformou o negócio>
A consolidação nacional veio com a geração seguinte. Walther Moreira Salles, pai de Walter, assumiu os negócios ainda jovem, aos 18 anos, e ampliou a atuação da instituição financeira.>
Em 1940, liderou a fusão com outras casas bancárias, dando origem ao Banco Moreira Salles, que mais tarde se tornaria o Unibanco — incorporado ao Itaú em 2008.>
A relação com o pai era marcada por disciplina e orientação rígida sobre finanças, como mostra uma carta enviada quando o jovem pediu um smoking: “Os negócios, ultimamente, dão pouco para todos e quem vive de trabalho, como nós, e precisa manter honradamente o nome, tem que equilibrar as despesas com as rendas.”>
“[...] Quanto ao smoking, aconselho a não fazê-lo, não só por ser dispensável, como também por não ser bonito nem nobre um menino de família relativamente pobre sustentar esses luxos. Peço-te pois que varra isso do pensamento, porque se refletires um pouco, verás que é futilidade.[...]”>
“Teu pai, que trabalha das 6 da manhã às 11 da noite, como ainda hoje aconteceu, fala com o único fito de conservar seu nome e de poder educar seus enternecidos filhos. Sabes bem que aquele que assim procede, estudou pouco e com dificuldades grandes. Confio muito em ti e preciso que me prometas que entrarás, desde já, no bom caminho, desprezado as más companhias e os luxos.”>
Império dividido entre os irmãos>
Décadas depois, os herdeiros transformaram essa base em um conglomerado bilionário. Os quatro irmãos aparecem juntos nas listas de maiores fortunas do país, refletindo uma estratégia familiar de participação em negócios de longo prazo e setores estratégicos.>
Mesmo com áreas de atuação distintas - como cultura, finanças e indústria - todos estão ligados ao mesmo núcleo patrimonial, que segue sustentado principalmente pelo sistema financeiro e pela mineração.>
A família também mantém atuação relevante na área cultural. Um dos marcos foi a criação, em 1992, do Instituto Moreira Salles, em Poços de Caldas, em um imóvel histórico restaurado. O espaço reúne exposições e atividades artísticas, reforçando o interesse da família pelas artes.>