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Carol Neves
Publicado em 11 de maio de 2026 às 13:01
Com pouco mais de 8,7 mil habitantes, a cidade de Inocência, no Mato Grosso do Sul, foi escolhida para receber uma das maiores fábricas de celulose do mundo construídas em etapa única. O projeto, batizado de Sucuriú, será implantado pela multinacional chilena Arauco com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões. As informações são da Gazeta do Povo.>
A escolha do município levou em conta fatores estratégicos como solo fértil para o rápido desenvolvimento do eucalipto, clima favorável, disponibilidade de água, logística de transporte e a expansão da base florestal na região. O estado também já possui forte vocação para empreendimentos ligados ao setor de celulose.>
A futura unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, fortalecendo ainda mais a presença do Brasil entre os maiores polos globais da indústria. A expectativa é que o empreendimento coloque Inocência no centro de uma mudança econômica sem precedentes.>
Empresas abrem mais de 160 vagas de estágio para 2026
14 mil vagas de emprego>
Durante a fase de obras, a previsão é de criação de 14 mil empregos diretos e indiretos, número que supera a população da cidade e deve provocar mudanças significativas na rotina local. A demanda por moradia, comércio e serviços tende a crescer com a chegada de milhares de trabalhadores.>
A Arauco, responsável pelo investimento, atua em mais de 80 países e está entre as líderes mundiais na produção de celulose sustentável. A companhia possui operações em países como Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, China e África do Sul, além de atuar nos segmentos de painéis de madeira, produtos florestais e energia renovável.>
A nova planta industrial foi projetada para operar com tecnologia de última geração, uso racional da água, reaproveitamento de resíduos e redução de emissões. O complexo também vai produzir energia limpa a partir de subprodutos do processo industrial.>
A pedra fundamental da obra foi lançada em abril, marcando o início da construção. O cronograma prevê que a primeira produção de celulose aconteça no quarto trimestre de 2027.>
Segundo a empresa, o complexo terá capacidade para gerar 400 megawatts de energia limpa. Desse total, 200 MW serão destinados ao consumo da própria fábrica, enquanto outros 220 MW devem ser enviados ao Sistema Interligado Nacional, volume suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 800 mil habitantes.>
A chegada da megafábrica deve impulsionar diferentes setores da economia regional. Inocência, localizada a aproximadamente 330 quilômetros de Campo Grande, já se prepara para receber os impactos da implantação do projeto, que inclui aumento na circulação de renda, novos investimentos e expansão de atividades ligadas à cadeia da celulose.>
O projeto também reforça o avanço do Mato Grosso do Sul no mercado nacional de celulose. A expectativa da Arauco é que, em menos de dez anos, o estado se torne o maior produtor do país e um dos principais do mundo.>
Em 2024, o Brasil produziu 25,5 milhões de toneladas de celulose. Desse total, cerca de 7,5 milhões vieram do Mato Grosso do Sul, distribuídas entre quatro linhas industriais — três da Suzano e uma da Eldorado.>
Produção de celulose>
Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores produtores globais de celulose, atrás apenas dos Estados Unidos, que produzem cerca de 48 milhões de toneladas anuais.Sozinho, o Mato Grosso do Sul já supera o Japão, nono maior produtor mundial, ao ultrapassar 7,4 milhões de toneladas por ano.>
As exportações sul-mato-grossenses renderam US$ 2,7 bilhões em 2024, cerca de R$ 14,4 bilhões, com embarques destinados principalmente à Ásia e à Europa, incluindo mercados como China, Países Baixos e Itália. No mesmo período, o Brasil exportou US$ 10,6 bilhões em celulose.>
A base florestal também teve peso decisivo na escolha de Inocência. A Arauco já assegurou 400 mil hectares de eucalipto contratados e em expansão para abastecer a futura fábrica, garantindo sustentação ao projeto Sucuriú.>