Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 14 de maio de 2026 às 07:23
A Justiça do Ceará autorizou que credores brasileiros tentem cobrar diretamente da matriz sul-coreana da Posco as dívidas acumuladas pela Posco Engenharia e Construção do Brasil, que pediu encerramento das atividades em 2025. >
A decisão, publicada na última segunda-feira (11), atende a um pedido de desconsideração da personalidade jurídica em caráter provisório. Na prática, o mecanismo permite que a empresa controladora seja responsabilizada pelas obrigações da subsidiária, ultrapassando a proteção do CNPJ brasileiro.>
Com isso, a Posco Eco & Challenge, sediada na Coreia do Sul e controladora da operação no Brasil, pode ser incluída nos processos como responsável pelas dívidas.>
Gigante coreana declarou autofalência no Brasil
O passivo declarado pela Posco Brasil é de cerca de R$ 644 milhões, valor que, segundo credores, pode chegar a até R$ 1 bilhão, considerando disputas e cobranças ainda em aberto.>
No processo de encerramento aceito pela Justiça em setembro de 2025, a empresa informou ter apenas R$ 109 em conta corrente, além de cerca de R$ 11 mil em ativos, um carro avaliado em R$ 70 mil e um terreno em São Gonçalo do Amarante, no Ceará.>
Credores apontam controle da matriz>
Segundo reportagem do portal G1, os credores afirmam que houve confusão patrimonial entre a operação brasileira e a controladora sul-coreana, com ingerência direta da matriz na gestão financeira, jurídica e operacional da subsidiária.>
Eles alegam ainda que a Posco Coreia autorizava pagamentos, controlava contas e teria influenciado até a decisão de encerrar as atividades no Brasil.>
Na decisão, o juiz Daniel Carvalho Carneiro entendeu que as provas indicam “ingerência direta da Posco Coreia” e possível uso abusivo da pessoa jurídica, autorizando a inclusão da matriz no processo.>
Com isso, a empresa sul-coreana passa a integrar formalmente o polo passivo e poderá apresentar defesa. A cobrança, porém, ainda depende de etapas jurídicas adicionais e não tem efeito automático na Coreia do Sul.>
Obra bilionária no Ceará>
A Posco Brasil foi criada em 2011 para atuar na construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), projeto de US$ 5,4 bilhões executado entre 2013 e 2018 no Ceará.>
A empresa terceirizou praticamente toda a obra, contratando dezenas de fornecedores locais. Após a conclusão do projeto, parte dessas empresas afirma não ter recebido pelos serviços prestados, dando origem à disputa judicial.>
Falência contestada>
No pedido de encerramento, a Posco Brasil alegou crise financeira causada pela pandemia, recessão econômica e falta de novos contratos.>
Já os credores sustentam que a falência teria sido planejada para esvaziar a operação brasileira e transferir recursos à matriz no exterior, deixando dívidas no país.>
Com a nova decisão, a Justiça abre caminho para que a controladora sul-coreana também seja responsabilizada pelo passivo acumulado no Brasil.>