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Giuliana Mancini
Publicado em 25 de abril de 2026 às 12:00
O ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, preso preventivamente por suspeita de cometer crimes sexuais contra pacientes, enviou mensagem a uma das vítimas após uma consulta, questionando se "houve algum mal-entendido". A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que investiga o caso em Goiânia e Senador Canedo. Até o momento, 23 mulheres denunciaram o médico, que é investigado por estupro de vulnerável.>
Em coletiva de imprensa, a delegada Amanda Menuci afirmou que a paciente em questão enfrentava uma gravidez de risco e passou a gravar os atendimentos após desconfiar da conduta do médico. Segundo ela, o comportamento relatado é compatível com o padrão identificado em outras denúncias.>
"Ela [a vítima] disse que depois de ter manuseado as partes íntimas dela, tocado libidinosamente, tecendo todo tipo de comentário pejorativo, mandou mensagem para ela: 'Oi, você está bem? Só gostaria de saber se não ficou nenhum mal-entendido'. Ora, se tivesse algum lastro do que ele fez, ele não precisaria enviar esse tipo de mensagem", declarou.>
Marcelo Arantes foi preso suspeito de estuprar pacientes durante consultas em Goiás
As investigações apontam que o médico teria se comportado como um "predador sexual", utilizando o ambiente clínico para se aproximar das vítimas. Após a divulgação do caso, no dia 17 de abril, a Polícia Civil tornou públicas a identidade e a imagem do médico para que mais vítimas fossem identificadas. Até o momento, 23 mulheres formalizaram denúncias contra ele, com relatos que vão de 2017 até 2026.>
Segundo a polícia, o suspeito costumava conquistar a confiança das pacientes antes dos abusos, muitas vezes em momentos de maior fragilidade emocional. "A gente tem vítimas variadas, com idades entre 18 e 45 anos, mas percebemos que ele aproveitava momentos de vulnerabilidade, algumas antes de procedimentos cirúrgicos e algumas muito jovens, na primeira consulta ginecológica", explicou a delegada.>
Os crimes são investigados como estupro de vulnerável. Segundo a polícia, a tipificação foi escolhida em razão da vulnerabilidade das pacientes no ambiente da consulta ginecológica.>
Ainda conforme a investigação, o modo de agir se repetia. As vítimas relatam que os atendimentos eram marcados por toques físicos indevidos e comentários inapropriados. >
"Ele agia da mesma forma, ganhando a confiança da vítima, tecendo elogios, tocando libidinosamente as partes íntimas delas, quando era exame de toque, tocava os seios juntamente, quando tinha que fazer o exame endovaginal de ultrassom, ficava masturbando a vítima, fazendo movimentos circulares e sempre fazendo muitos comentários que desbordam da prática médica", detalhou a delegada.>
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de o próprio médico, em algumas ocasiões, pegar o número de telefone das pacientes, algo que normalmente é feito por funcionários administrativos.>
Uma das vítimas relatou à TV Anhanguera que ficou paralisada durante o atendimento. Segundo ela, Marcelo começou o atendimento de forma gentil, até que começou a tocar sua perna e panturrilha. "A gente fica completamente imóvel, não tive coragem, acho que, por alguns minutos, eu morri ali na cadeira", disse.>
Ao site g1, a defesa do médico afirmou que considera desnecessária a prisão preventiva e declarou confiar na inocência do cliente, destacando que ele tem colaborado com as investigações. "Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação", diz a nota (leia na íntegra ao final do texto).>
Formado pela Universidade Federal de Goiás em 2002, Marcelo Arantes e Silva atua há cerca de 24 anos como ginecologista e obstetra, com foco em tratamentos de infertilidade. Ele nasceu em Itaberaí, região noroeste de Goiás, e mora em Goiânia. Segundo documento de audiência de custódia, ele é casado e tem dois filhos.>
Segundo as investigações, os crimes foram cometidos em duas clínicas particulares: uma em Goiânia e outra em Senador Canedo. Atualmente, seu registro profissional está suspenso por determinação judicial.>
Uma das clínicas onde ele trabalhava informou, em nota, que tomou conhecimento das denúncias pelas redes sociais e classificou as acusações como "graves, intoleráveis e absolutamente incompatíveis com os valores éticos", além de comunicar o desligamento imediato do profissional. Já outra unidade afirmou que ele não integra o corpo clínico há mais de um ano.>
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.>
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.>
A defesa do Dr. Marcelo Arantes Silva entende como desnecessário o deferimento do pedido de prisão. Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação.>
Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos.>
Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado>
Advogados de defesa>