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Esther Morais
Publicado em 15 de maio de 2026 às 10:03
Um grupo hacker é alvo da Operação Bypass, deflagrada na manhã desta sexta-feira (15) pela Polícia Civil do Distrito Federal, por suspeita de invadir o sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal e aplicar fraudes relacionadas a veículos, multas e financiamentos. >
Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava uma ferramenta clandestina chamada internamente de “bypass” para acessar ilegalmente o sistema Getran, plataforma responsável pelo gerenciamento de registros veiculares do Departamento de Trânsito do Distrito Federal.>
Vagas do Detran-BA
A operação é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado.>
As investigações começaram há cerca de quatro meses, após denúncias de transferências fraudulentas de veículos pertencentes a empresas, realizadas sem autorização dos proprietários.>
Com o avanço das ações, os policiais descobriram que a organização havia criado um sistema capaz de simular interfaces oficiais do Detran-DF e automatizar operações fraudulentas em velocidade incompatível com ações humanas.>
De acordo com a Polícia Civil, a ferramenta executava centenas de requisições por segundo diretamente no domínio oficial do órgão, utilizando servidores privados virtuais e mecanismos de anonimização digital para dificultar o rastreamento.>
A investigação aponta que o esquema permitia a exclusão irregular de multas, transferências ilegais de propriedade de veículos para empresas de fachada, emplacamentos fraudulentos e regularizações indevidas de registros de condutores.>
Os investigadores também identificaram o uso de documentos adulterados ligados aos veículos para obtenção de financiamentos fraudulentos em instituições financeiras.>
Segundo a corporação, o grupo possuía estrutura organizada e divisão clara de funções. Enquanto o núcleo técnico realizava as invasões e mantinha o sistema clandestino em funcionamento, outros integrantes captavam clientes interessados nas fraudes e encaminhavam os dados necessários para execução das operações ilegais.>
Outro braço da organização seria responsável pela movimentação financeira do dinheiro obtido ilegalmente, utilizando contas bancárias com características típicas de lavagem de dinheiro.>
Ainda conforme a Polícia Civil, o Detran-DF colaborou com as investigações ao fornecer registros de acesso ao sistema Getran, permitindo identificar padrões suspeitos de invasão e localizar os endereços utilizados nas conexões fraudulentas.>
Ao todo, a Justiça autorizou cinco mandados de prisão temporária e quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal. Também foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias, apreensão de veículos de luxo e recolhimento de equipamentos eletrônicos utilizados pelos investigados.>
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de invasão de dispositivo informático, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.>
A Polícia Civil informou que o inquérito continua para identificar outros possíveis integrantes do esquema e calcular o tamanho total do prejuízo causado aos cofres públicos.>