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Carol Neves
Publicado em 15 de maio de 2026 às 10:44
A cidade de São Paulo registrou um aumento de temperatura muito acima da média global nos últimos 125 anos, segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Enquanto a temperatura média do planeta subiu cerca de 1,2 °C desde 1900, a capital paulista teve alta de 2,4 °C nas temperaturas máximas e de 2,8 °C nas mínimas. >
Os dados foram apresentados pelo professor Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP), durante um evento promovido pela Fapesp.>
De acordo com os pesquisadores, o avanço das ilhas de calor urbanas explica parte do aquecimento acelerado. O fenôeno ocorre quando áreas verdes dão lugar a concreto, asfalto e edificações, que acumulam mais calor.>
Um estudo com imagens de satélite mostrou que algumas áreas urbanizadas da Grande São Paulo já atingem até 60 °C durante o verão. Em regiões com mais vegetação e presença de água, as temperaturas ficam próximas de 25 °C.>
São Paulo
As análises também apontaram que ondas de calor têm provocado noites cada vez mais quentes na região metropolitana. Em alguns casos, os termômetros ainda marcam 28 °C às 22h. “Esse dado é muito crítico, porque é nesse horário que a maioria das pessoas vai dormir”, afirmou Rocha, segundo Agência Fapesp.>
Soluções>
Os pesquisadores defendem que soluções baseadas na natureza podem ajudar a reduzir os efeitos das ilhas de calor. Estudos feitos pelo grupo apontam que áreas com vegetação conseguem gerar um “efeito oásis”, reduzindo em até 7 °C a temperatura do ar em comparação com ruas densamente urbanizadas.>
“Temos vários indícios de que a revegetação urbana na Região Metropolitana e, de forma geral, no Estado de São Paulo é não só uma oportunidade potencial, mas também viável para o resfriamento urbano nos eventos extremos”, afirmou.>
Durante o evento, especialistas também reforçaram a preocupação com o avanço do aquecimento global. Thelma Krug, vice-presidente do IPCC entre 2015 e 2022, destacou que as cidades precisarão se preparar para cenários de aquecimento acima de 1,5 °C ainda neste século.>
“A influência humana no aquecimento é inequívoca e rápida. Sem ela, não conseguiríamos explicar as mudanças observadas desde 1950”, pontuou Krug.>