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Mãe e filho condenados por matar estudante foram para escola com martelo e faca após briga na internet

Juntos, eles foram condenados a quase 70 anos de prisão pela morte do adolescente e por duas tentativas de homicídio

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 4 de maio de 2026 às 13:42

Mãe e filho condenados por matar estudante foram à porta da escola com martelo e faca após briga na internet
Mãe e filho condenados por matar estudante foram à porta da escola com martelo e faca após briga na internet Crédito: Reprodução

Condenados pela morte do estudante Nicollas Lima Serafim, 14 anos, em Anápolis, em Goiás, Maria Renata de Merces Rodrigues e o filho Kaio Rodrigues Matos foram para a porta do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza levando uma faca e um martelo após uma briga na internet. Juntos, eles foram condenados a quase 70 anos de prisão pela morte do adolescente e por duas tentativas de homicídio que tiveram como vítimas um estudante de 12 anos e outro de 15. O crime ocorreu no dia 20 de fevereiro de 2024 durante uma briga na saída da escola registrada por câmeras de segurança. Na ocasião do crime, Maria Renata tinha 43 anos e  Kaio, 20.

Em um julgamento que durou cerca de 12 horas, Maria Renata e Kaio foram condenados por homicídio qualificado e por todas as tentativas de homicídio. A mãe ainda foi condenada por corrupção de menores. As defesas vão recorrer da decisão. Além da prisão, os dois foram condenados a pagar R$ 150 mil à família de Nicollas e R$ 75 mil para cada uma das vítimas que sobreviveram. As informações são do G1 Goiás.

Mãe e filho condenados por matar estudante foram à porta da escola com martelo e faca após briga na internet por Reprodução

Representada por Saulo Silva e Hélio Aquino, a defesa da mãe informou ao G1 Goiás que, no dia anterior ao crime, Kaio discutiu em uma live na internet com um dos estudantes que sobreviveu. O jovem teria ameaçado o irmão mais novo de Kaio, que era aluno da escola. “Quando uma das vítimas começou as ameaças contra o irmão de Kaio, ele entrou na live, falando que ninguém iria agredir o seu irmão. Após alguns minutos a live foi encerrada e eles começaram a discutir por mensagens e agendaram a briga”, relatou Saulo Silva.

Segundo a defesa de Kaio, representado por Victor José, ele não discutiu pela internet com Nicollas, mas o garoto era amigo de um dos alunos esfaqueados e estava na porta do colégio quando a discussão começou. A mãe de Kaio foi buscar o filho na escola e se deparou com a aglomeração na porta do colégio, onde a briga teria sido "agendada". “Ela conseguiu pegar o seu filho e, quando viu o adolescente ameaçando os filhos dela, decidiu parar o carro e tentar intimidá-lo, momento em que Nicollas e outra vítima tentaram intimidar todos e a situação saiu do controle”, contou o advogado de Maria Renata.

A briga aconteceu na saída do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, no bairro Calixtópolis, por volta das 12h. Durante uma live realizada nas redes sociais, os envolvidos tiveram uma discussão e combinaram uma briga na saída da escola. Vídeos mostram o momento em que a briga começa. Segundo o delegado do caso, Wllisses Valentim, Maria Renata estava com um martelo, enquanto Kaio carregava uma faca. Três estudantes foram atingidos. Nicollas morreu e os outros dois foram internados em um hospital e sobreviveram após ficarem internados em estado gravíssimo.

Maria Renata e os dois filhos foram levados para a Central de Flagrantes. Na ocasião, Kaio disse aos policiais que o irmão mais novo estava sendo ameaçado pelos estudantes na escola. Na época, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) lamentou o ocorrido e disse que toda a confusão aconteceu fora do ambiente escolar, por motivos pessoais dos estudantes. Explicou que a Superintendência de Segurança Escolar foi acionada assim que a direção soube do caso.

A defesa de Maria Renata, representada por Saulo Silva e Hélio Aquino, informou que o julgamento foi considerado justo do ponto de vista processual, mas que o júri decidiu pelo contrário do que a defesa entende. Disse ainda que pontos da dosimetria da pena precisam ser ajustados e que irá recorrer da decisão

Já a defesa de Kaio Rodrigues, representada por Victor José, entende que há circunstâncias relevantes que não foram devidamente consideradas na fixação da pena, especialmente no que se refere à dosimetria e que também vai recorrer da decisão (leia a nota da defesa na íntegra ao fim do texto).

Na leitura da sentença, o juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende aproveitou o caso para dar uma lição e promover uma reflexão sobre a situação que levou ao crime. "A senhora [mãe] vai ter alguns anos para refletir e o filho também. Se vocês [réus] tivessem pensado 10 segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos felizes em casa, vocês, a vítima, a ré", declarou o juiz enquanto proferia a sentença.