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Mar avança e prédios inclinam: plano de R$ 200 milhões do BNDES tenta proteger 200 mil moradores de cidade brasileira

Projeto prevê modernização de canais, proteção da orla e novas soluções de drenagem

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 13 de abril de 2026 às 07:59

Orla de Santos
Orla de Santos Crédito: Tadeu Nascimento

O avanço do mar e o aumento do risco de alagamentos colocaram Santos no centro de um novo plano de adaptação climática financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição aprovou R$ 200 milhões para estruturar intervenções voltadas à proteção da orla, modernização da drenagem urbana e redução da vulnerabilidade da cidade diante de eventos extremos.

Os recursos virão do Fundo Clima e serão destinados a intervenções estruturais e urbanísticas, especialmente na Zona Leste. Entre as medidas previstas estão obras de macro e microdrenagem, modernização do sistema de canais e comportas, reforço da proteção costeira e requalificação de áreas urbanas. O plano também inclui ampliação de superfícies permeáveis e criação de espaços para infiltração da água da chuva, com objetivo de reduzir alagamentos e melhorar as condições ambientais.

De acordo com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, os investimentos devem fortalecer a proteção da orla e contribuir para elevar a qualidade de vida da população. Segundo o BNDES, “A área de influência prioritária compreende as bacias dos canais 1 a 7 e todo o conjunto urbano e costeiro da Macrozona Leste, local com alta concentração de atividades comerciais, residenciais, turísticas e de mobilidade”.

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Apesar da aprovação do financiamento, a liberação dos recursos não será imediata. Conforme explicou o prefeito Rogério Santos, o momento atual é dedicado à estruturação técnica dos projetos, etapa estimada em cerca de R$ 7 milhões e necessária antes da contratação das intervenções maiores. O empréstimo ainda depende de tramitação administrativa local e aval da Câmara Municipal.

A previsão da Prefeitura é que as obras avancem apenas após a conclusão de estudos técnicos, elaboração de projetos básico e executivo, licenciamento ambiental e realização de debates públicos. Com isso, a expectativa é de implementação em um horizonte de quatro a cinco anos.

Dentro desse planejamento, o município pretende atualizar o modelo histórico de drenagem concebido pelo engenheiro Saturnino de Brito, adaptando o sistema às novas pressões provocadas pelo avanço das marés e pela intensificação de eventos climáticos extremos. A revisão envolve tanto a Zona Noroeste quanto áreas mais antigas, como o Centro, a Zona Intermediária e a orla.

Segundo o BNDES, a proposta para a Zona Leste prevê soluções integradas de adaptação climática, incluindo modelagem de riscos, requalificação de áreas vulneráveis, ampliação de superfícies permeáveis e melhorias no sistema de drenagem, além da proteção do patrimônio ambiental e cultural da faixa costeira.

Para a administração municipal, os alagamentos deixaram de ser um problema pontual e passaram a exigir respostas permanentes de infraestrutura. A estratégia inclui o uso de consultorias especializadas e referências de outras cidades com desafios semelhantes.

“O que nós queremos agora é conhecer as experiências, para, aí sim, a gente optar por avançar no empréstimo que levaria às obras”, afirmou Rogério Santos, em entrevista ao jornal A Tribuna, de Santos.

A agenda conjunta entre Prefeitura e BNDES também envolve a modernização do Centro de Controle Operacional (CCO). Segundo o secretário de Governo, Fábio Ferraz, a cidade apresentou três frentes prioritárias ao banco: requalificação da drenagem e macrodrenagem, ampliação tecnológica do CCO e busca de solução financeira para os prédios inclinados da orla.

No caso do CCO, há previsão de cerca de R$ 80 milhões para expansão da estrutura, com implantação de softwares capazes de monitorar acúmulo de água no solo, aprimorar o controle de dragagem e drenagem, otimizar o funcionamento das comportas e integrar dados com áreas como segurança pública e resposta emergencial.

O banco também realizou visitas técnicas às comportas dos canais 3, 4 e 5 para avaliar o potencial de automação desses equipamentos e sua integração a novas medidas preventivas.

Mercadante afirmou que os investimentos devem reduzir alagamentos, proteger a orla, fortalecer a atividade econômica local e ampliar a capacidade de resposta da cidade diante de eventos extremos.

Prédios tortos

Outro tema discutido com o banco envolve os chamados prédios inclinados da orla. Segundo a Prefeitura, são acompanhados atualmente 65 edifícios com desaprumo, principalmente entre os canais 2 e 6, nos bairros Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Aparecida.

A proposta em estudo tem perfil privado e busca permitir que condomínios ligados à Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (ACOPI) tenham acesso a financiamento para intervenções de engenharia voltadas ao reaprumo das estruturas. As inclinações estão associadas ao tipo de fundação adotado décadas atrás e às características do solo local.

Desde 2024, moradores desses edifícios passaram a se organizar por meio da associação em busca de alternativas técnicas e financeiras para enfrentar o problema.

Apesar do avanço das tratativas, a execução das obras previstas no pacote climático dependerá da conclusão dos estudos, definição do modelo jurídico e financeiro, licenciamento ambiental e aprovação política necessária para transformar o planejamento em intervenções concretas na cidade.