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Da Redação
Publicado em 4 de agosto de 2018 às 10:34
- Atualizado há 3 anos
Sondada pelo MDB e por representantes do Palácio do Planalto para ser candidata a vice-presidente da República na chapa do ex-ministro Henrique Meirelles, a senadora Marta Suplicy anunciou na sexta-feira, 3, que está, na prática, abandonando a vida político-parlamentar. Está se desfiliando do MDB, não aceita ser vice, nem mesmo vai disputar a reeleição para o Senado por São Paulo, conforme antecipou na sexta o estadao.com.br.>
"A vida parlamentar está restrita ao corporativismo, ao retrocesso, enquanto a vida da sociedade civil está pulsando. Eu posso contribuir muito mais para a política na sociedade civil do que no Parlamento", disse Marta ao jornal O Estado de S. Paulo em seu apartamento funcional em Brasília. Ela afirmou que jamais deixará de fazer política, mas agora em "outras trincheiras".>
Entre seus planos, está atuar em ONGs e outras instituições, revisitar seus nove livros publicados, escrever novos, talvez encarar um projeto novo na televisão e viajar sem a premência de voltar correndo a Brasília para votações em plenário, sessões de comissões, reuniões partidárias.>
Marta, de 73 anos, também antecipou ao jornal O Estado de S. Paulo uma "Carta aos Paulistas" em que agradece os mais de 8 milhões de votos que a levaram ao Senado, em 2010, mas faz duras críticas aos partidos, "fragilizados, acuados e sem norte político" e "não conseguem mais dar resposta à crise de credibilidade que se abateu sobre eles". >
Ela também criticou o Congresso, "que se tornou refém de uma agenda atrasada dos costumes da sociedade", e disse que o "toma lá dá cá" com o Executivo "afronta todos os padrões de dignidade e honradez da sociedade".>
Apesar de estar na sexta na capital e de estar sendo sondada para a vice de Meirelles, Marta não compareceu, na quinta-feira, à convenção que lançou o ex-ministro da Fazenda à Presidência da República. Ela, porém, não sai "atirando" nem no MDB nem no presidente Michel Temer, com quem diz ter boas relações.>
Quanto à candidatura de Meirelles, foi cáustica: "Tem uma carreira admirável no mundo privado, mas sua candidatura não passa de um sonho de menino rico. Não creio que vá empolgar as massas, até porque nunca o vi falando do social". E quem fala do social na campanha? Mais uma vez, Marta foi crítica: "Marina (Silva, da Rede) fala coisas corretas, mas não consegue encaminhar, acaba sempre no abstrato. São ideias e palavras bonitas, só".>
Na opinião da senadora, Geraldo Alckmin (PSDB) tem boas chances, mas não terá vida fácil: "É um homem de bem, com administrações pouco ousadas, e seu grande desafio, se ganhar, é não ficar refém dos compromissos que seus coligados não escondem e repetem todos os dias pelos jornais". >
Para ela, Ciro Gomes (PDT) "é o mais preparado, com mais ousadia para as reformas e para enfrentar o toma lá dá cá, mas talvez não queira ser presidente, porque ele se sabota". "Como psicanalista, vejo isso claramente.">
As críticas mais duras, porém, vão para o líder nas pesquisas sem o ex-presidente Lula, o deputado Jair Bolsonaro (PSL): "A vitória dele, na qual não acredito, seria um atraso enorme para o Brasil em todos os níveis. É uma pessoa que exibe despreparo, não tem estatura nem conhecimento para ser presidente da República".>
Além de questionar as qualificações de Bolsonaro, Marta condena as posições dele sobre os temas aos quais ela dedica toda sua vida pública prioritariamente: "Quando ele abre a boca, é para desrespeitar as mulheres, a democracia, os direitos humanos e as minorias". Apesar de não anunciar quem será seu candidato no primeiro turno, a senadora já tem uma certeza: "Se Bolsonaro for para o segundo turno, seremos todos contra ele.">
Lula>
Após 33 anos no PT, Marta encerra a carreira partidária no MDB. Ela diz que Lula "fez muita coisa boa pelo País, mas se enveredou pelos atos pelos quais foi condenado pelo desejo de manter o poder". E quem será o candidato do PT? "É fazer adivinhação. Quem se prepara é o Fernando Haddad, mas quem é mais querido e tem afinidade com Lula é Jacques Wagner".>
Ela, que votou a favor do impeachment, diz que o governo de Dilma Rousseff "foi um desastre para o Brasil". >
Quanto ao presidente Michel Temer: "Era a expectativa de reformas e de recuperação. Ele começou a fazer e isso tem que ser reconhecido, mas as denúncias enfraqueceram muito o governo e ele ficou refém do Congresso". Também faz questão de frisar: "Comigo, ele sempre se portou muito bem.">
De todos os cargos de sua longa trajetória, porém, ela destaca um sem titubear: a Prefeitura de São Paulo, que ocupou entre 2001 e 2004. "Porque você pode fazer diferença na vida das pessoas. E eu fiz." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. >