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Mulher de 37 anos enganou famílias adotivas em cinco estados fingindo ser adolescente de 12

Suspeita confessou o crime e, segundo a polícia, usava comportamentos infantis para convencer famílias a acolhê-la

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 3 de junho de 2026 às 10:42

Mulher de 37 anos finge ser adolescente de 12 e engana família por mais de um ano
Mulher de 37 anos finge ser adolescente de 12 e engana família por mais de um ano Crédito: Reprodução

A mulher de 37 anos presa em Joinville, Santa Catarina, por viver sob a falsa identidade de uma adolescente de 12 anos já havia aplicado golpes semelhantes em diferentes regiões do Brasil. A descoberta foi feita pela Polícia Civil durante a investigação que revelou que a suspeita utilizava uma identidade falsa para conquistar a confiança de famílias, obter acolhimento e receber benefícios financeiros e emocionais. As informações são do g1. 

Segundo os investigadores, a mulher confessou a fraude e deverá responder pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Em Joinville, ela morava havia cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma adolescente chamada "Gabriela". Durante esse período, chegou a participar de comemorações familiares e até ganhou uma festa de aniversário organizada pelos responsáveis pela casa.

As investigações apontaram que a suspeita se aproximou da família após procurar ajuda em uma igreja da região. Na ocasião, contou que havia fugido de casa por ser vítima de exploração sexual e afirmou que o uso de hormônios explicava sua aparência física mais madura. Sensibilizados com o relato, integrantes da comunidade mobilizaram apoio e ajudaram a encontrar um local para que ela morasse.

Mulher de 37 anos finge ser adolescente de 12 e engana família por mais de um ano por Reprodução

Com o passar dos meses, a mulher fortaleceu os vínculos com os anfitriões. Os responsáveis chegaram a custear tratamentos médicos, incluindo o uso da tirzepatida, medicamento popularmente conhecido como Mounjaro, indicado para tratamento da obesidade.

Para sustentar a falsa identidade, ela dizia ser diagnosticada com autismo e outras condições de saúde. A investigação revelou ainda que a suspeita adotava comportamentos infantis para reforçar a imagem de adolescente. Entre eles estavam o uso de chupeta, mamadeira e objetos com cheiro específico para dormir.

De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a mulher também simulava crises emocionais e alterava a forma de falar para convencer as pessoas ao redor. "Ela afinava a voz, tinha crises de pânico de medo à noite, porque simulava medo de escuro. Simulava carência. Ela à noite tinha que tomar uma mamadeira para poder dormir ou usar chupeta", relatou.

Ainda segundo a Polícia Civil, a suspeita evitava qualquer tentativa de adoção formal e justificava a resistência alegando que não queria que o suposto "pai biológico" descobrisse onde ela estava. A versão foi mantida durante todo o período em que viveu com a família.

A fraude começou a ser desvendada após um familiar dos responsáveis pela residência levantar suspeitas e procurar a polícia. A denúncia levou a família até a 6ª Delegacia de Polícia de Joinville, que iniciou as investigações e descobriu a verdadeira identidade da mulher.

Durante a apuração, os policiais identificaram que ela possui histórico de golpes semelhantes em diversos estados brasileiros. Há registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul. Um dos casos mais conhecidos aconteceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 2023, quando ela também se apresentou como uma menina de 12 anos e conseguiu convencer pessoas a oferecerem moradia, alimentação, roupas e acompanhamento psicológico.

A reincidência chamou a atenção dos investigadores, que agora buscam identificar outras possíveis vítimas da mesma fraude em diferentes partes do país.

Tags:

Mulher Adolescente Golpe