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Perla Ribeiro
Publicado em 31 de março de 2026 às 09:54
O número de embriões congelados no Brasil cresceu 37% entre 2022 e 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O total passou de 104.693 embriões em 2022 para 144.080 em 2025, evidenciando uma expansão contínua da reprodução assistida no país. >
O aumento acompanha o crescimento dos ciclos de fertilização in vitro (FIV), principal técnica utilizada no tratamento da infertilidade, e também reflete mudanças no comportamento reprodutivo da população, como o adiamento da maternidade. De acordo com a ginecologista e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), Marise Samama, o avanço está diretamente ligado ao aumento da procura pelos tratamentos.>
“O aumento do número de ciclos de fertilização in vitro vem trazendo, consequentemente, um crescimento no número de embriões congelados. Muitos casais conseguem constituir família por meio da FIV, mas acabam ficando com embriões excedentes”, explica. Segundo a especialista, o maior acesso aos tratamentos também contribui para esse cenário, especialmente em um contexto de maternidade mais tardia.>
“Sem dúvida há mais ciclos de FIV, mas o maior acesso ao tratamento também favoreceu esse aumento. Hoje, os casais deixam para engravidar mais tarde, o que aumenta as dificuldades e a necessidade de recorrer à reprodução assistida”, afirma. O congelamento de embriões tem se consolidado como parte do planejamento reprodutivo de casais que passam por tratamentos de fertilidade. A prática permite novas tentativas de gestação no futuro sem a necessidade de repetir todo o processo.>
Esse movimento também foi impulsionado por avanços tecnológicos importantes nos últimos anos. A partir de 2012, a introdução da vitrificação aumentou significativamente a taxa de sobrevivência dos óvulos e embriões após o descongelamento, tornando o procedimento mais seguro e eficiente. “Já começamos a ver casais que pensam na reprodução assistida como uma forma mais segura de engravidar, especialmente quando há riscos genéticos envolvidos”, diz. >
Apesar dos avanços, o aumento no número de embriões armazenados nas clínicas brasileiras levanta discussões sobre o destino desses materiais. “É uma realidade, mas também um problema. Temos milhares de embriões estocados nos laboratórios de reprodução, e muitos casais optam pelo descarte. Isso acaba gerando questionamentos ético-religiosos”, destaca.>
Outro fator que impacta esse cenário são as exigências regulatórias para a doação de embriões, que incluem exames que nem sempre foram realizados no momento da criopreservação. A expectativa é de que a reprodução assistida continue em expansão no Brasil, acompanhando mudanças sociais, como o adiamento da maternidade, e o maior acesso às tecnologias reprodutivas.>