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Nutricionista que escapou de estupro com um mata-leão revela como uma aula de defesa pessoal ajudou a salvar sua vida

O suspeito, que já tinha uma condenação por estupro cometido em 2015, foi preso em flagrante

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 7 de junho de 2026 às 15:13

Nutricionista que escapou de estupro com um mata-leão revela como uma aula de defesa pessoal ajudou a salvar sua vida
Nutricionista que escapou de estupro com um mata-leão revela como uma aula de defesa pessoal ajudou a salvar sua vida Crédito: Reprodução

A nutricionista Jéssica Soares, 35 anos, que reagiu com um mata-leão a uma tentativa de estupro no apartamento onde morava na cidade de Barueri, Grande São Paulo, teve duas aulas de defesa pessoal em 2022, em Fortaleza. no Ceará. Em uma delas, o professor simulou uma tentativa de estupro e, em outra, uma tentativa de sequestro. A vítima contou, em entrevista ao G1, que recebeu o vídeo da aula e que utilizou a mesma técnica que aprendeu para se livrar de Wellington de Oliveira Santos, 36, que invadiu o apartamento onde ela reside e tentou violentá-la. Nesse sábado (6), Jéssica retornou a Fortaleza e reencontrou a família.

Jéssica sofreu uma tentativa de estupro dentro de seu apartamento em um prédio na área nobre da cidade, com câmeras e reconhecimento facial. No dia 23 de maio deste ano, Wellington invadiu o local e foi até o apartamento da vítima, cuja porta estava destrancada. O suspeito foi preso em flagrante. A nutricionista reagiu à tentativa de abuso e lutou por cerca de 13 minutos com o criminoso. Ela usou técnicas de artes marciais aprendidas em aulas de diferentes modalidades, como muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal.

Nutricionista que escapou de estupro com um mata-leão revela como uma aula de defesa pessoal ajudou a salvar sua vida por Reprodução

As técnicas ela aprendeu durante os cerca de três meses que fez aulas de jiu-jitsu. "Por incrível que pareça, eu fiz duas aulas de defesa pessoal, que eles simulam um estupro e um sequestro. E esse meu professor me mandou os vídeos dessa aula, me deu até gatilho”, contou em entrevista ao G1. Mesmo diante da situação desesperadora, a nutricionista lembrou que reagiu desde o primeiro momento e que utilizou técnicas de artes marciais aprendidas em aulas de diferentes modalidades. Ela detalhou que precisou fazer elevação pélvica para jogar o criminoso para fora da cama e tentar pegar o celular.

"Nós sabemos que estamos vulneráveis nesse mundo louco de homens doentes (...) Então, eu me encantei por isso [artes marciais], pra me defender mesmo. Quando eu entrei, vi que além de me defender, era uma atividade física que ia muito de encontro com a minha vida na nutrição. Meu trabalho é fazer isso, eu tenho que estar bem", comentou a nutricionista.

Wellington, que já tem uma condenação por estupro cometido em 2015, foi preso em flagrante por tentativa de estupro contra Jéssica. Durante a audiência de custódia, o acusado implorou ao juiz ao menos quatro vezes para não permanecer preso. O pedido não foi atendido. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva.

Em 2017, ele foi sentenciado a 11 anos e 4 meses de prisão. Ele também responde por um caso de violência doméstica de 2025. O acusado alegou estar embriagado, disse que cuida do pai de 74 anos e do filho de 11 anos e pediu um "voto de confiança" à Justiça. O magistrado afirmou que a prisão era necessária "especialmente para a preservação da vítima".

Reencontro com a família

O reencontro de Jéssica com a família ocorreu durante um café da manhã especial realizado na manhã desse sábado (6) Além de rever a família durante o susto, o reencontro foi também uma oportunidade para celebrar o aniversário da mãe dela. "Acho que esse vai ser o presente que ela mais queria: ter a filha viva". A nutricionista disse que deve continuar morando em São Paulo, mas pretende aproveitar o momento de descanso em Fortaleza para se recuperar e estar ao lado da família.

"É aqui que eu tenho força, que recarrego as energias, é no meu canto, com os meus, com a minha família, com os meus amigos. Faz toda a diferença", disse Jéssica em entrevista à equipe da TV Verdes Mares, que acompanhou o reencontro.

Enquanto muitas vítimas preferem se esconder, Jéssica diz que quis dar visibilidade ao caso para ver se aparecem outras vítimas. Ea conta que já foi procurada por, pelo menos, três mulheres que relataram situações semelhantes envolvendo o suspeito. Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou oficialmente se Wellington está sendo investigado por outros casos ou se esses relatos resultaram em novos inquéritos.

"Estou com medo, mas decidi me expor para aparecerem outras vítimas, para as mulheres entenderem que elas precisam se cuidar, que infelizmente não foi porque eu estava na rua num horário escuro, não foi porque eu estava com a roupa curta, não foi porque a mulher 'pediu' por isso. Eu estava na minha casa, dormindo, num lugar que eu achava que era seguro", afirmou a nutricionista à TV Verdes Mares.

Mãe de Jéssica, Dena Soares disse estar feliz por reencontrar a filha após o momento traumático: "Eu ficava imaginando como vai ser quando eu vir minha filha. Já doía muito e doeu mais ao saber que ela estava machucada por um mostro daqueles. Mas estou feliz que ela está com a gente. Tenho muito orgulho. Minha filha é maravilhosa, muito guerreira".