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Perla Ribeiro
Publicado em 13 de abril de 2026 às 15:05
Conviver com uma doença reumática crônica é, para milhões de pessoas, enfrentar um cotidiano no qual atividades simples como abrir uma garrafa, subir escadas ou segurar um copo tornam-se tarefas desafiadoras de serem executadas. Mas, estudos clínicos, revisões sistemáticas e diretrizes internacionais vem indicando uma aliada fundamental no tratamento desses pacientes: a prática de exercícios físicos. >
“Hoje sabemos que a inatividade é, na verdade, a maior estimuladora da dor nos pacientes com doenças reumáticas crônicas. É fato que já avançamos muito com o surgimento de terapias biológicas, mas a ciência já comprovou que a medicação, por mais avançada que seja, não caminha sozinha. Para resgatar a qualidade de vida e a autonomia plena desses pacientes, a atividade física prescrita de forma estratégica e individualizada, precisa ser integrada ao tratamento como um pilar tão vital quanto o próprio fármaco”, afirma a médica reumatologista e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Licia Mota.>
A professora também ressalta um ponto importante, o de que pessoas com essas condições de dor extrema são menos ativas. “O dado é preocupante: menos da metade das pessoas com artrite reumatoide, por exemplo, consegue atingir o nível mínimo de atividade física recomendado para manter a saúde em dia, o que reforça a importância de estratégias que incentivem o movimento de forma segura e orientada”, alerta.>
Rotina ativa de movimento >
Segundo a especialista Licia Mota, a partir do diagnóstico e da definição do plano terapêutico, deve-se incluir um programa estruturado de atividade física como parte da rotina de cuidado de quem sofre com dores crônicas provenientes de doenças reumáticas. “O objetivo é recuperar o condicionamento físico perdido e melhorar a capacidade funcional no dia a dia. Evidências científicas mostram que o exercício atua em múltiplas frentes e, com efeitos anti-inflamatórios, metabólicos e hormonais, o que explica por que ele vem sendo comparado, em termos de impacto, a intervenções medicamentosas no controle das doenças reumáticas. Esse entendimento já está incorporado às recomendações de sociedades médicas do Brasil e do exterior”, confirma.>
A pesquisadora também explica de que forma o movimento deve ser incorporado à rotina do paciente. “As atuais diretrizes das principais sociedades de reumatologia do mundo são claras: pessoas com doenças reumáticas devem praticar atividade física nos mesmos moldes recomendados para a população geral, com as devidas adaptações. E claro, preciso ressaltar que qualquer atividade física precisa ser realizada sob a orientação de um profissional especializado”, enfatiza.>
Segundo a especialista, a prescrição do movimento estratégico varia conforme a patologia:>
Como romper o ciclo da inatividade?>
Apesar das evidências em prol do movimento físico, Licia sinaliza um ponto de atenção importante: para quem convive diariamente com a rigidez, a inflamação e a dor extrema, como é o caso de pacientes com fibromialgia, a ideia de iniciar uma rotina de exercícios pode soar como uma afronta. “Um dos principais desafios que encontro no consultório ainda é a adesão à prática de atividade física pelo paciente. A dor, o receio de piora dos sintomas e até a falta de orientação adequada dificultam a manutenção de uma rotina regular de exercícios”, reconhece.>
Porém, ela reforça: “Este é um ciclo que precisa ser rompido. Nosso papel como reumatologista é guiar esse avanço, transformando o medo em confiança e a dor em progresso. É um processo de reeducação do corpo e da mente, onde cada pequeno movimento – ancorado em uma abordagem segura, individualizada e humanizada - é uma vitória”, finaliza a especialista.>
Entenda como diferentes exercícios protegem e regeneram suas juntas>
Estudos mostram que programas combinados (aeróbico + fortalecimento + mobilidade) são mais eficazes do que exercícios isolados na redução da dor e melhora da função. “Não existe um exercício único que resolva tudo. O benefício está na combinação e na dose. É como uma prescrição medicamentosa: tipo, intensidade e frequência precisam ser ajustados para cada paciente e cada doença”, explica a médica reumatologista da Universidade de Brasília (UnB), Licia Mota.>
Veja como cada tipo de movimento contribui para o controle inflamatório e para a regeneração da funcionalidade articular.>