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Quem é o brasileiro de 104 anos reconhecido como o escritor mais velho do mundo

Lindomar Tournier, que lançou o 22º livro da carreira, foi reconhecido pelo Guinness World Records

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 28 de maio de 2026 às 13:06

Brasileiro de 104 anos reconhecido como o escritor mais velho do mundo
Brasileiro de 104 anos reconhecido como o escritor mais velho do mundo Crédito: Reprodução

Aos 104 anos, o catarinense Lindomar Cardoso Tournier acaba de alcançar um reconhecimento histórico: entrou para o Guinness World Records como o escritor vivo mais longevo do mundo. Morador de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, ele ultrapassou a barreira dos 100 anos servindo de inspiração para muito gente: escrevendo livros, estudando informática e mantendo uma rotina intelectual ativa mesmo após ultrapassar um século de vida.

O novo recorde internacional veio acompanhado de mais uma conquista literária. Ele completou 104 anos nessa quarta-feira (27) e mais do que uma festa, a data foi marcada pelo lançamento de mais uma obra de sua autoria. Lindomar lançou “Herotídes – Orgulho e Redenção”, seu 22º livro. O evento foi realizado no Museu Willy Zumblick, em Tubarão, durante as comemorações do aniversário da cidade em que ele vive e que divide a data de nascimento com ele.

Quem é o brasileiro de 104 anos reconhecido como o escritor mais velho do mundo por Reprodução

Natural de Lauro Müller, também em Santa Catarina, Lindomar nasceu em 1922 e trabalhou por décadas no comércio e em farmácias antes de se dedicar integralmente à literatura. “Eu sempre tive vontade de escrever e de pintar, mas devido à minha atividade… trabalhava o dia todo, fazia plantão, farmácia… não tinha condições”, disse, em entrevista a um veículo local.

O sonho de escrever livros existia desde a juventude, mas ganhou força após a aposentadoria, motivada por um acidente. Foi já idoso que ele decidiu aprender informática para continuar produzindo suas obras. Desde então, passou a utilizar computador, fazer cursos online e desenvolver novos projetos literários. Além da escrita, também se dedica à pintura.

Segundo o escritor, manter a mente ativa faz parte do segredo para a longevidade. A rotina inclui leitura diária, produção de textos e participação em atividades culturais. Atualmente, Lindomar vive em um apartamento e tem uma rotina mais adaptada à idade, com o apoio de familiares e de uma cuidadora que o acompanha há mais de duas décadas.

Responsável pelos cuidados diários com o escritor centenário, Juliana Germano informou a um jornal da região que se impressiona com a disciplina e serenidade de Lindomar. Mesmo com limitações naturais da idade, o escritor mantém o hábito de produzir diariamente, além de receber visitas frequentes de familiares e admiradores. “Ele acorda de manhã, toma o café, lê o jornal, pinta, escreve… é uma pessoa muito tranquila e inspiradora”, afirmou ao veículo.

Como a escrita manual se tornou mais difícil, ele grava ideias e pensamentos para depois transformá-los em texto. “Ser escritor para mim é um prazer. Nunca busquei ser famoso, mas escrevo com amor”, afirmou o autor ao ND+, que já planeja novas obras, incluindo um livro sobre a própria família. Segundo Juliana, o escritor mantém o olhar voltado para o futuro e continua planejando novos projetos literários. “Ele está sempre pensando como vai ser daqui para frente. É um exemplo de vida”, disse.

O reconhecimento do Guinness levou anos para ser concluído e contou com o apoio da família na reunião de documentos e comprovações exigidas pela organização internacional. A confirmação oficial transformou Lindomar em símbolo de longevidade intelectual no Brasil.

Fundador da cadeira 14 da Academia Tubaronense de Letras, ele afirma que muitas de suas histórias surgem de experiências pessoais acumuladas ao longo da vida. Entre elas está uma viagem feita ao Rio de Janeiro para acompanhar a Copa do Mundo de 1950, episódio que mais tarde inspirou uma de suas narrativas. "Saí daqui até a pé, peguei trem, peguei avião, peguei tudo e fui à Copa do Mundo”, contou, em entrevista a um jornal local.

Dias antes do lançamento do novo livro, Lindomar também recebeu homenagem da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) pela contribuição cultural construída ao longo de décadas.