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Carol Neves
Publicado em 26 de maio de 2026 às 09:18
Um turista argentino de 63 anos foi preso em flagrante suspeito de praticar racismo contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça em Tiradentes, no interior de Minas Gerais. >
De acordo com a Polícia Militar, o caso ocorreu na tarde de domingo (24). Conforme o registro da ocorrência, Eduardo Ignacio fotografava o menino, que é negro, dentro do trem turístico e compartilhava as imagens em aplicativos de mensagens acompanhadas de comentários considerados racistas.>
Em uma das mensagens enviadas em espanhol, o suspeito escreveu: “De lo puedo llevar de esclavo”, expressão que pode ser traduzida como “Posso levá-lo como escravo”.>
Argentino foi preso em Minas Gerais
Outros passageiros perceberam o conteúdo das mensagens e avisaram a mãe da criança, de 32 anos. Ela conseguiu registrar as conversas fotografando a tela do celular do suspeito.>
Após a confirmação das mensagens, turistas e funcionários do passeio impediram que o homem deixasse o local até a chegada da polícia.>
O argentino foi levado para a delegacia da Polícia Civil, onde foi preso em flagrante. O celular utilizado por ele também foi apreendido.>
Defesa pede cautela>
Em nota divulgada pelo Estado de Minas, o advogado de defesa, Lincoln Barros Júnior, afirmou reconhecer a gravidade da acusação, mas defendeu cautela na divulgação das informações devido à repercussão nacional do caso.>
“O procedimento se encontra em fase inicial, razão pela qual não se pode admitir a formação de juízos definitivos de culpa antes da completa apuração dos fatos, da análise das provas, do contraditório, da ampla defesa e de eventual decisão judicial definitiva.”>
O advogado também destacou que a Constituição garante ao investigado o direito à presunção de inocência e ao devido processo legal.>
“Tais garantias não afastam a seriedade dos fatos investigados, mas impedem que qualquer investigado seja tratado publicamente como condenado antes do regular pronunciamento do Poder Judiciário”, afirmou.>
Segundo a defesa, também há preocupação com a divulgação de imagens pessoais do investigado e com o que classificou como “exposição pública excessiva”, especialmente diante de conclusões antecipadas sobre a responsabilidade criminal do argentino.>
“A liberdade de imprensa é fundamental em uma sociedade democrática, mas deve ser exercida em harmonia com os direitos fundamentais, a dignidade da pessoa humana e a presunção de inocência.”>
A nota ainda informa que a defesa avalia medidas judiciais relacionadas a possíveis publicações consideradas “imprecisas, incompletas, ofensivas” ou que possam representar “julgamento público antecipado”, incluindo pedidos de retificação e direito de resposta.>