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Turista argentino é preso após falas racistas sobre criança brasileira em passeio de trem

Homem de 63 anos teria fotografado menino de 7 anos e enviado mensagem racista em espanhol

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 26 de maio de 2026 às 09:18

Eduardo Ignacio, de 63 anos
Eduardo Ignacio, de 63 anos Crédito: Reprodução

Um turista argentino de 63 anos foi preso em flagrante suspeito de praticar racismo contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça em Tiradentes, no interior de Minas Gerais.

De acordo com a Polícia Militar, o caso ocorreu na tarde de domingo (24). Conforme o registro da ocorrência, Eduardo Ignacio fotografava o menino, que é negro, dentro do trem turístico e compartilhava as imagens em aplicativos de mensagens acompanhadas de comentários considerados racistas.

Em uma das mensagens enviadas em espanhol, o suspeito escreveu: “De lo puedo llevar de esclavo”, expressão que pode ser traduzida como “Posso levá-lo como escravo”.

Eduardo Ignacio por Reprodução

Outros passageiros perceberam o conteúdo das mensagens e avisaram a mãe da criança, de 32 anos. Ela conseguiu registrar as conversas fotografando a tela do celular do suspeito.

Após a confirmação das mensagens, turistas e funcionários do passeio impediram que o homem deixasse o local até a chegada da polícia.

O argentino foi levado para a delegacia da Polícia Civil, onde foi preso em flagrante. O celular utilizado por ele também foi apreendido.

Defesa pede cautela

Em nota divulgada pelo Estado de Minas, o advogado de defesa, Lincoln Barros Júnior, afirmou reconhecer a gravidade da acusação, mas defendeu cautela na divulgação das informações devido à repercussão nacional do caso.

“O procedimento se encontra em fase inicial, razão pela qual não se pode admitir a formação de juízos definitivos de culpa antes da completa apuração dos fatos, da análise das provas, do contraditório, da ampla defesa e de eventual decisão judicial definitiva.”

O advogado também destacou que a Constituição garante ao investigado o direito à presunção de inocência e ao devido processo legal.

“Tais garantias não afastam a seriedade dos fatos investigados, mas impedem que qualquer investigado seja tratado publicamente como condenado antes do regular pronunciamento do Poder Judiciário”, afirmou.

Segundo a defesa, também há preocupação com a divulgação de imagens pessoais do investigado e com o que classificou como “exposição pública excessiva”, especialmente diante de conclusões antecipadas sobre a responsabilidade criminal do argentino.

“A liberdade de imprensa é fundamental em uma sociedade democrática, mas deve ser exercida em harmonia com os direitos fundamentais, a dignidade da pessoa humana e a presunção de inocência.”

A nota ainda informa que a defesa avalia medidas judiciais relacionadas a possíveis publicações consideradas “imprecisas, incompletas, ofensivas” ou que possam representar “julgamento público antecipado”, incluindo pedidos de retificação e direito de resposta.