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Carol Neves
Publicado em 27 de abril de 2026 às 10:21
A disputa envolvendo o Pix ganhou dimensão internacional após Visa e Mastercard acionarem o escritório de comércio exterior dos Estados Unidos (USTR) contra o Brasil. As empresas alegam que regras impostas pelo Banco Central favorecem o sistema de pagamentos instantâneos e criam desvantagem para operadoras de cartão estrangeiras. A partir da reclamação, Washington abriu uma investigação formal que pode, em último caso, resultar em sanções comerciais. Em abril, representantes dos dois países se reuniram na capital americana para tentar resolver o impasse, mas não houve avanço concreto. >
No centro da controvérsia está a exigência de que instituições financeiras com mais de 500 mil clientes ofereçam o Pix. Para Visa e Mastercard, essa obrigatoriedade, somada ao fato de o sistema não cobrar taxas do consumidor, cria um ambiente de competição desigual com os cartões, que dependem de tarifas para sustentar sua operação. As empresas também apontam um possível conflito de interesses, já que o próprio Banco Central regula o mercado e, ao mesmo tempo, opera o sistema concorrente.>
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O impacto financeiro é um dos principais motores da disputa. Com a popularização do Pix, parte significativa das transações migrou das maquininhas para transferências instantâneas, reduzindo receitas das operadoras no Brasil. Na visão das companhias americanas, o problema não é a existência do Pix, mas a forma como ele foi estruturado e incentivado pelo governo brasileiro.>
A investigação conduzida pelo USTR busca avaliar se as políticas brasileiras violam princípios de acesso justo ao mercado. O órgão tem autoridade para recomendar medidas como tarifas ou restrições comerciais caso identifique práticas consideradas desleais. Apesar disso, a abertura do processo não implica punições imediatas, já que ainda haverá coleta de informações, consultas com o governo brasileiro e análise dos possíveis impactos nas relações comerciais.>
Do lado brasileiro, a defesa é de que o Pix cumpre um papel estratégico na inclusão financeira e na modernização do sistema de pagamentos. O governo argumenta que a ferramenta ampliou o acesso a serviços bancários, reduziu custos para consumidores e pequenos negócios e não impede a atuação das operadoras de cartão, que seguem presentes no mercado. A preferência pelo Pix, segundo essa visão, seria resultado de sua eficiência, e não de restrições aos concorrentes.>
A possibilidade de sanções preocupa setores econômicos, já que os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Eventuais medidas poderiam afetar exportações, encarecer importações e gerar efeitos em cadeia em diferentes áreas da economia. O impasse também cria um paradoxo: um sistema criado para beneficiar a população pode acabar desencadeando consequências negativas indiretas.>
As negociações devem continuar, sem prazo definido para conclusão da investigação. >