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Vitrine para o mundo: estudo mapeia 128 soluções climáticas e destaca eixo com potencial do Nordeste

Relatório elaborado por empresas do setor privado elenca projetos com potencial global para atingir metas definidas na COP30

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Elaine Sanoli

Publicado em 20 de março de 2026 às 06:30

“Brasil: Potência Global de Soluções” reúne iniciativas do setor privado para combater às mudanças climáticas e foi lançado nesta quarta-feira
“Brasil: Potência Global de Soluções” reúne iniciativas do setor privado para combater às mudanças climáticas e foi lançado nesta quarta-feira Crédito: Marcelo Pereira/ Agência Fato Relevante

Os ventos que sopram na Bahia e a luz solar que chega a essas terras a colocam em posição de destaque nacional quando o assunto é energia renovável. Líder na geração eólica no Brasil, o estado simboliza o potencial do Nordeste na transição energética. Este é um dos principais eixos de soluções climáticas abordados no estudo “Brasil: Potência Global de Soluções”, lançado nesta quarta-feira (18), em São Paulo.

Com a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro do ano passado, o Brasil se consolidou como vitrine de soluções de combate às mudanças climáticas. Nesse contexto, um grupo de empresas do setor privado reuniu iniciativas com potencial de implementação em larga escala global. O relatório foi elaborado pela plataforma Climate Action Solutions & Engagement (C.A.S.E), em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Sustainable Business COP (SBCOP) e a Accenture.

A C.A.S.E é formada pelas empresas Bradesco, Itaú, Itaúsa, Marcopolo, Natura, Nestlé e Vale. A proposta é impulsionar oportunidades de mercado e iniciativas com potencial de escala global. Ao todo, são 128 iniciativas com atuação em toda a América do Sul, capazes de acelerar a agenda climática e socioambiental da COP30.

“Brasil: Potência Global de Soluções” reúne iniciativas do setor privado para combater às mudanças climáticas e foi lançado nesta quarta-feira por Marcelo Pereira/ Agência Fato Relevante

O estudo possui nove eixos estratégicos, que dialogam com os principais temas discutidos na COP30: agricultura regenerativa, biocombustíveis, bioeconomia, economia circular, financiamento climático, infraestrutura, restauração florestal, transição energética e transição justa. As 128 iniciativas elencadas cumpriram critérios de elegibilidade, como a implementação prévia na América do Sul; qualitativos, como associação a um produto financeiro; e quantitativos, que avaliam implementação, maturidade, escalabilidade, inovação, transversalidade e cobertura.

Os próximos passos consistem na seleção de cinco a dez das 128 iniciativas para impulsionamento global. “A diversidade começa nas empresas, nas soluções e em um olhar integrado do país e do mundo como oportunidade de crescimento e de expansão de soluções”, frisa a diretora de Sustentabilidade da Natura, Angela Pinhati.

Uma das estratégias sugeridas pela gigante dos cosméticos é o Sistema Agroflorestal (SAF), já adotado no Norte do país no plantio da palma, amplamente utilizada em produtos do segmento de beleza e cuidados pessoais. “Essa é uma solução específica dessa região da floresta [Amazônica], porque a palma cresce na região equatoriana, mas pode ser replicada em outras florestas da Ásia, onde houve intensa devastação pela monocultura”, exemplifica.

Polo estratégico

No estudo, o eixo de maior relevância é o de transição energética, com 31 soluções elencadas. As iniciativas priorizam mobilidade elétrica, modernização da infraestrutura e descarbonização industrial, com o objetivo de promover uma transição integrada, capaz de atuar simultaneamente sobre transporte, infraestrutura e indústria. É nesse eixo que se destaca o potencial nordestino.

Por suas características geográficas, o Nordeste apresenta condições favoráveis à produção de energias renováveis, como a eólica e a solar. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), cerca de 95% da geração eólica do Brasil foi produzida na região, considerando um acumulado de 12 meses até novembro de 2025.

Sozinha, a Bahia respondeu por cerca de 37% da geração eólica nacional, liderando o setor. O estado e o Rio Grande do Norte concentraram, juntos, 65% da produção oriunda dos ventos no país.

Além do potencial energético, o Nordeste se apresenta como terreno fértil para iniciativas em diferentes eixos, considerando sua biodiversidade e base produtiva. “A grande maioria das iniciativas já existe no Nordeste. Em algumas áreas-chave de implementação, como bioeconomia, restauração florestal e transição energética, o Nordeste brasileiro é estratégico porque, por algum bom motivo, os melhores regimes de vento e de radiação solar do país estão na região. Além disso, a indústria brasileira de árvores e a mais avançada tecnologia florestal de plantio também estão concentradas no Nordeste”, elenca o head de sustentabilidade da Itaúsa e diretor executivo do Instituto Itaúsa, Marcelo Furtado.

Uma das iniciativas em operação pela Nestlé, por exemplo, envolve a agricultura regenerativa nas cadeias de produção de matéria-prima, com foco na redução de emissões, aumento da resiliência e garantia de renda para os produtores. “Temos uma participação bastante importante no Nordeste, principalmente na Bahia, onde temos fazendas que nos fornecem cacau e café. Estamos ampliando a agricultura regenerativa nessas regiões”, afirma a gerente de sustentabilidade da Nestlé, Cecilia Seravalli.

O projeto envolve compostagem, diversificação do cultivo, uso eficiente da água, arborização e bem-estar animal. A iniciativa se desdobra em programas como o Nestlé Cocoa Plan e o Nescafé Plan, que em todo o país chega a atingir cerca de 9,5 mil produtores no país.

O intuito é que o estudo também sirva de base para conectar iniciativas ao setor público e privado, ampliando possibilidades sustentáveis nas regiões brasileiras. “Ao invés de você fazer isso [executar projetos] isoladamente, com cada prefeito ou governador pensando por si só, é importante analisar se não existe uma oportunidade de agrupamento, como um consórcio de governadores do Nordeste, que olham para essas soluções e dizem: ‘Na nossa visão, essas duas aqui dialogam bastante, porque elas geram emprego e renda, a gente já tem essa base instalada na região e achamos que deveríamos começar por aqui’”, destaca Marcelo Furtado.

“Coalizões voluntárias demonstram o espírito do mutirão da COP30 e refletem o chamado de passar da negociação à implementação”, reforça o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.

Olhos no futuro: adaptação climática

O país tem enfrentado, nos últimos anos, eventos extremos associados às mudanças climáticas. Na Bahia, por exemplo, chuvas intensas recentes provocaram alagamentos, destruição de imóveis e mortes, como a de Rosania Silva Borges, de 46 anos, arrastada por uma enxurrada em Vitória da Conquista, no último dia 9.

Como desdobramento da COP30, o Brasil deve priorizar a construção de uma agenda de adaptação climática. Isso significa não apenas mitigar danos, mas também preparar cidades e populações para eventos extremos.

“A adaptação continua sendo prioridade, com consolidação da agenda de ação e atuação conjunta com o setor privado”, afirmou a diretora-executiva da COP30, Ana Toni.

Essa relação entre setor privado e medidas de resiliência climática será o foco do próximo estudo do C.A.S.E. O objetivo do novo relatório é elencar soluções que ajudem as cidades e sociedades brasileiras, conforme demandas e particularidades, a lidar com as situações adversas que já se fazem presentes, a partir de áreas estratégicas da economia que poderão se desenvolver a partir da adaptação.

“Percebemos que eventos climáticos extremos causam muita destruição e colocam muita infraestrutura em risco. A janela da sua casa talvez não seja adaptada para vento extremo. Então, existe uma nova oportunidade para quem vende esse tipo de produto: desenvolver modelos resistentes a ciclones”, exemplifica o head de sustentabilidade da Itaúsa, Marcelo Furtado, ao destacar como a adaptação climática também abre espaço para inovação e novos mercados.