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A governança terceirizada de Jerônimo, as críticas dos ruizistas a Adolpho Loyola e a bronca dos prefeitos

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 10 de abril de 2026 às 05:00

Jerônimo virou piada após contratar consultoria no fim do governo
Jerônimo virou piada após contratar consultoria no fim do governo Crédito: Sora Maia/ARQUIVO CORREIO

A nove meses do fim do mandato, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) firmou um contrato de R$ 16,4 milhões com a Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace) para serviços de apoio à governança pública no âmbito da Casa Civil. A contratação subverte a lógica do que se vê na gestão pública, quando consultorias dessa natureza costumam acontecer no início da gestão para ajudar a organizar processos e fundamentar melhor as tomadas de decisão. Não bastasse isso, o contrato ocorre sob dispensa de licitação. Um interlocutor da política chegou a brincar que, como não governou até aqui, Jerônimo agora terceirizou de vez a gestão.

Invade ou protege?

O fechamento da janela partidária na semana passada provocou um show de horrores na base governista, que ainda repercute com um repertório que vai de reclamações a piadas. Além de implodir legendas como Podemos e PRD, a articulação do governo empurrou deputados para arranjos, no mínimo, inusitados, como ocorreu na federação PT-PCdoB-PV com a chegada de Eduardo Salles e Antônio Henrique Júnior, defensores ferrenhos do agronegócio no Partido Verde. Agora, eles convivem com petistas que defendem abertamente o MST, invasões de propriedades rurais e que já externaram ser necessário lutar “contra o agronegócio na luta pelo bem viver”, como disse uma vez a deputada estadual Neusa Cadore.

Fogo amigo

Por falar no fechamento da janela partidária, a ala mais ligada ao ex-ministro Rui Costa (PT) anda bastante insatisfeita com o todo-poderoso secretário Adolpho Loyola (PT), a quem caciques da base governista atribuem os tropeços na formação das chapas dos partidos. Uma liderança disse que Adolpho, por ser "extremamente controlador", acabou pegando para si a tarefa de ajustar as legendas da base e colocou os pés pelas mãos com movimentos que irritaram praticamente toda a base. Um dos "ruizistas" disse, em conversas reservadas, que o ex-ministro e o presidente do Avante, Ronaldo Carletto, trataram de arrumar o partido sem a intervenção direta de Adolpho, pois já imaginavam o desfecho.

Vermelhos de raiva

Entre os partidos da base, um dos mais insatisfeitos é o PSB, liderado na Bahia pela deputada federal Lídice da Mata. No apagar das luzes, a legenda viu sua nominata para deputado estadual ser praticamente desmantelada, processo que teve como ápice a saída do deputado Angelo Almeida, filiado ao PT - deixando petistas muito chateados. Para deputado federal, os socialistas veem uma situação mais complicada para Lídice com a entrada do deputado federal Mário Negromonte Jr e do deputado estadual Vitor Bonfim, que vai disputar a Câmara dos Deputados. Há quem diga que ambos têm, hoje, mais votos do que Lídice, e o partido só deve eleger dois parlamentares.

Pegou ar

O senador Angelo Coronel (Republicanos) vem conseguindo alugar um triplex na cabeça de lideranças petistas da Bahia. Com seu jeito bem humorado e sacadas extrovertidas, ele tem dado declarações que demonstram confiança e leveza e, ao mesmo tempo, fazem provocações ao grupo do PT. Os adversários, claro, não estão gostando e reagem até com certa agressividade. Nesta semana, por exemplo, Adolpho Loyola rebateu as falas de Coronel e, visivelmente irritado, chamou as falas do senador de dor de cotovelo e inveja e disse que o republicano "fala o que quer". Como diz o ditado: pegou ar!

A escolha da discórdia

Como já previa a coluna na semana passada, o resultado da vice de Jerônimo teve fortes emoções até o final e Geraldo Júnior (MDB) foi confirmado na posição. Mas, como dizem parlamentares governistas, não foi por mérito dele e, sim, por falta de opção do governo. No final, conforme estes deputados, pesou a pressão feita por caciques do MDB e, principalmente, a negativa de nomes que eram considerados favoritos para o posto. No final, como resumiu uma liderança governista, a escolha só agradou ao próprio Geraldo, mas causou traumas e insatisfações tanto de lideranças do MDB, que não gostaram nada do processo de fritura do partido e do vice; de petistas-raiz, que desejavam um nome mais competitivo que pudesse agregar ao desgastado Jerônimo; e principalmente de Rui Costa, que já deixou claro que não quer conta com Geraldo.

Calote à vista

Prefeitos de diversas regiões da Bahia andam insatisfeitos com o governo Jerônimo por conta da falta de pagamentos a artistas que se apresentam em festas locais. Em alguns casos, os atrasos já chegam a quase um ano. Em um caso detalhado à coluna, a emenda destinada para pagar as atrações da festa de Réveillon de uma cidade já foi paga, mas o governo ainda não repassou para os artistas. Artistas se queixam nos bastidores, mas temem botar a boca no trombone e acabarem sendo retaliados, assim como prefeitos.

Corra que a pergunta vem aí

O governador Jerônimo parece ter sido orientado a mudar sua relação com a imprensa depois do episódio ocorrido em Mata de São João, quando precisou fugir ao ser questionado sobre detalhes de uma obra do Estado. Sem titubear, disse que não sabia e repassou a resposta a um técnico da equipe. Depois dali, a equipe de comunicação e o entorno político aconselharam que ele evite exposição fora de roteiros previamente controlados. A diretriz já foi colocada em prática ontem na posse do novo presidente do TRE-BA: Jerônimo passou em silêncio pela imprensa, sem qualquer tentativa de interação, reforçando a opção por falar apenas quando tiver domínio absoluto do script.

Nal se deu mal

O prefeito de Guanambi, Nal Azevedo, levou um verdadeiro choque de realidade depois da tentativa de gravar um vídeo “espontâneo” com um idoso a fim de arrancar elogios ao governador Jerônimo. O gesto soou forçado e teve reação imediata nos comentários da publicação no Instagram: “Nós não estamos vivendo no mesmo estado, né possível”, escreveu uma seguidora espantada com o cenário pintado pelo gestor. Outro chegou a ironizar: “Aí pegou pesado”. “A Bahia precisa de mudança”, disse um terceiro seguidor.

Gafe

A gafe da semana ficou para a vereadora de Lauro de Freitas Luciana Tavares (PCdoB). Em um debate na Câmara Municipal, a comunista, na tentativa de acabar a prefeitura, fez críticas à Secretaria Municipal da Fazenda por uma suposta cobrança de IPVA a taxistas, que seriam isentos. O problema é que o IPVA é um tributo estadual e a cobrança, na verdade, deveria ser ao governo Jerônimo, do qual ela é aliada. Corrigida por colegas, a vereadora ficou desconcertada.