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Algum livro já te abraçou?

Tem livros que parecem que foram escritos para mim. Leio devagar, evitando o ponto final

Publicado em 20 de abril de 2026 às 07:23

Espero que sim... Que, em algum momento da vida, você já tenha sido afagado pelas palavras. Sejam elas de um livro para as infâncias ou para adultos. Pouco importa o gênero: romance, crônica, conto, poemas, fábulas, mitos, lendas ou contações de histórias que sobrevivem ao tempo através da oralidade.

Minha relação com os livros começou na infância. Um misto de mistério e fantasia. Para além da ludicidade, o livro já foi escudo para mim. Em um tempo que ainda não existia Código de Defesa do Consumidor e alunos eram retirados da sala de aula em dias de prova, a biblioteca era meu refúgio para a inadimplência. Escondia a face rosada de vergonha entre as páginas. Guardo até hoje o olhar sereno da bibliotecária que me acolhia.

Meu pai que, na época fazia malabarismo para que eu estudasse em escola particular, sempre foi meu maior exemplo para a leitura. Em casa, estava sempre com livro em mãos. Os de Jorge Amado causavam gargalhadas. Eu herdei o gosto pela leitura que transbordou para a escrita. E, por isso, decidi ser jornalista.

Recém-formada, atuando como repórter aqui neste jornal, ele era meu revisor preferido. Lia com orgulho meus textos. Mostrava a assinatura no jornal impresso como quem ostentava um troféu. Foi no CORREIO que tive a alegria de entrevistar Bety Coelho. Encantada com suas contações, acabei participando de um curso dela em uma biblioteca pública. A magia das histórias fazia aquela senhora ter vigor e brilho nos olhos de menina. Anos mais tarde, o parto do meu primeiro livro, me aproximou definitivamente do universo literário.

Estar entre livros me faz mais feliz. Eu já estive longe deles. Na rotina atribulada de mãe e profissional, limitava-me a leituras técnicas. E olhe lá. A literatura foi se aproximando de mansinho, com uma fileira de escritoras baianas talentosas da literatura infanto-juvenil querendo me contratar para divulgar suas obras. Elas foram doulas do meu nascimento literário.

Hoje confesso certa compulsão. Compro mais do que posso ler. O apartamento reclama falta de espaço. Tem livros que parecem que foram escritos para mim. Leio devagar, evitando o ponto final. Acarinham, consolam, fazem enxergar a vida de outra perspectiva. E nem sempre isso é fácil. Uma leitura me tirou o chão, provocou vômito e me deu coragem para encarar a mudança que eu tanto precisava. Já naveguei em muitas páginas para não me afogar em angústias. Há livros que apertam a mente, inquietam. Outros sossegam. Fazem sonhar de olhos abertos.

Foi dessa paixão pelos livros, pelas palavras, que nasceu meu interesse pela Biblioterapia. Sinto um desejo latente de compartilhar com outras pessoas o acolhimento que a literatura trouxe para minha vida. É uma oportunidade preciosa mediar vivências, conduzir leituras em voz alta, compartilhar textos cuidadosamente selecionados de acordo com a temática e o público do encontro. É um trabalho sutil e - ao mesmo tempo – potente, que pode ser melhor compreendido por quem se permite desfrutar da experiência.

Já tentou explicar o cheiro de uma rosa para alguém que nunca esteve perto de uma? É o que acontece com a Biblioterapia. O processo é tão mágico que pessoas não alfabetizadas saem igualmente nutridas das vivências. Não é preciso saber ler para sentir o valor das palavras. Definitivamente, leitura é um remédio soberano.