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Publicado em 13 de abril de 2026 às 05:00
O setor da construção civil volta a acender um sinal de alerta diante dos recentes aumentos nos custos de insumos em todo o país. Impulsionadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio, a alta já impacta contratos em andamento e coloca em xeque as projeções de crescimento para 2026. >
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projetava expansão de 2% para o setor, após um período de desaceleração provocado pelos juros elevados. No entanto, outras entidades representativas já apontam que o cenário atual compromete esse horizonte, diante de uma inflação entre 4% e 5% ao ano.>
Na prática, o efeito é direto: o aumento dos custos pressiona o valor final das obras e dos imóveis, além de impactar projetos de infraestrutura, que podem sofrer atrasos, revisões orçamentárias e até inviabilização. Mais do que os fatores externos, porém, chama atenção a velocidade com que os reajustes vêm sendo aplicados.>
Esse cenário tem gerado incertezas e desafios para construtoras e incorporadoras, que buscam alternativas para mitigar os impactos e manter a viabilidade dos projetos. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que parte desses movimentos remete ao que já foi observado durante a pandemia, quando reajustes sucessivos pressionaram o setor de forma significativa.>
Como destaca Ângelo Simões, Presidente da Coopercon, estamos sendo surpreendidos por aumentos recorrentes, que nem sempre se explicam apenas pela recomposição de custos. Há, em alguns casos, um movimento de aumento de margens que precisa ser debatido com responsabilidade.>
Esse tipo de dinâmica pode até gerar ganhos imediatos para alguns elos da cadeia, mas tende a produzir consequências negativas no médio prazo. Um desarranjo provocado por aumentos excessivos pode levar à retração de investimentos, atrasar lançamentos imobiliários e, no fim, impactar toda a sociedade — com desemprego, produtos mais caros e menor arrecadação.>
A construção civil depende de previsibilidade. Seus ciclos são longos e exigem estabilidade para que projetos avancem com segurança. Quando os custos sobem de forma antecipada e sem a devida transparência, não são apenas margens que ficam comprometidas — são obras que deixam de sair do papel.>
Mais do que nunca, o setor precisa de equilíbrio e responsabilidade compartilhada. Reajustes baseados em fundamentos são legítimos. Antecipações baseadas em incertezas, no entanto, transferem riscos e fragilizam toda a cadeia.>
Neste segmento, grande gerador de empregos e renda, que viabiliza moradias e movimenta a economia real, é fundamental que todos os elos atuem com compromisso coletivo. Não há cadeia forte quando cada parte busca apenas proteger seus próprios interesses.>