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ESG e competitividade industrial

A competitividade depende cada vez mais da incorporação de critérios ESG – Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e Governança)

Publicado em 8 de junho de 2026 às 05:30

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é um marco global de conscientização e reforça a urgência de alinhar desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental. Para a indústria, a data simboliza não apenas reflexão, mas também ação concreta: transformar princípios sustentáveis em práticas mensuráveis e integradas à estratégia corporativa.

Nesse contexto, a competitividade depende cada vez mais da incorporação de critérios ESG – Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e Governança) - que hoje são tão determinantes quanto custos e eficiência. Mercados como União Europeia e América do Norte impõem exigências ambientais rigorosas. Empresas brasileiras que não se adaptam, enfrentam barreiras comerciais e perda de competitividade. Esse movimento também alcança o sistema financeiro: investidores e bancos já consideram métricas de governança e impacto social, favorecendo empresas mais maduras em ESG com melhores condições de crédito.

Além dos ganhos econômicos, práticas sustentáveis como eficiência energética, reaproveitamento de resíduos e ambientes inclusivos aumentam produtividade e fortalecem retenção de talentos. Para a Confederação Nacional da Indústria, essa agenda está diretamente ligada à “indústria do futuro”, que integra digitalização, sustentabilidade e inovação.

Nesse cenário, a reputação empresarial tornou-se um ativo estratégico. O ESG influencia a imagem corporativa, fortalecendo legitimidade institucional e confiança junto a consumidores e investidores. Falhas como poluição ou corrupção, por outro lado, podem gerar danos severos e duradouros. Grandes companhias já exigem conformidade ESG de fornecedores, tornando a reputação sustentável um requisito competitivo. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o greenwashing, o que reforça a necessidade de métricas verificáveis e maior transparência.

Apesar dos avanços, a adoção de práticas ESG ainda enfrenta gargalos, sobretudo entre pequenas e médias indústrias, devido ao desconhecimento técnico, custos de adaptação e escassez de profissionais qualificados. Normas como a ABNT PR 2030 e certificações internacionais oferecem diretrizes para estruturar o ESG na gestão, consolidando a sustentabilidade como parte da lógica financeira e estratégica.

Na Bahia, grandes indústrias dos setores petroquímico, mineração, energia e alimentos já ampliam investimentos em eficiência energética, redução de emissões e diversidade organizacional. Contudo, a adoção ainda é desigual, com pequenas e médias empresas enfrentando limitações. Para ampliar o engajamento, são necessárias políticas de financiamento verde, incentivos fiscais, capacitação técnica e redes colaborativas.

Nesse processo, a FIEB dissemina conhecimento e apoia empresas, promovendo programas de sustentabilidade, descarbonização, qualificação profissional, eventos técnicos, premiações e divulgação das boas práticas que contribuem para inserir ESG na estratégia das indústrias.

*Arlinda Negreiros é gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEB