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Publicado em 13 de maio de 2026 às 05:30
A agenda ESG deixou de ser discurso aspiracional para se consolidar como um vetor real de competitividade. Não se trata mais de posicionamento reputacional, mas de capacidade de execução. Empresas, governos e instituições que ainda operam no campo da narrativa já entenderam: o mercado passou a cobrar consistência, métricas e, sobretudo, impacto mensurável. >
Esse movimento é impulsionado por três forças claras. A primeira é regulatória, com exigências crescentes de transparência, reporte e governança. A segunda é econômica, com investidores e financiadores direcionando capital para organizações que demonstram responsabilidade e gestão de riscos. E a terceira é social: consumidores e a própria sociedade passaram a valorizar práticas alinhadas a um modelo de desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.>
Nesse contexto, o grande desafio deixa de ser “entender o ESG” e passa a ser “operacionalizar o ESG”. >
Traduzir conceitos em processos, indicadores e decisões estratégicas exige mudança de cultura, integração entre áreas e uma liderança preparada para lidar com complexidade. ESG não é um departamento. É um modelo de gestão transversal.>
Ao mesmo tempo, abre-se uma janela clara de oportunidade. Quem estrutura essa agenda com consistência ganha eficiência, reduz riscos, fortalece sua reputação e amplia sua capacidade de geração de valor no longo prazo. ESG bem implementado não é custo — é investimento inteligente.>
As cidades assumem papel central nesse cenário. São territórios de experimentação, onde políticas públicas, inovação e iniciativa privada se encontram para gerar soluções concretas. Salvador se posiciona, de forma cada vez mais consistente, como um ambiente estratégico para esse debate e para a construção coletiva de soluções com impacto real.>
Outro ponto essencial é a inclusão produtiva. Não há agenda ESG consistente sem considerar pequenas e médias empresas, que representam a base da economia. Democratizar o acesso a práticas sustentáveis, simplificar processos e criar mecanismos de incentivo são passos fundamentais para ampliar o alcance dessa agenda.>
O ESG que gera valor é aquele que sai do papel, entra na operação e se traduz em resultado. É o ESG que mede, presta contas e evolui continuamente.>
É nesse contexto que Salvador reúne, nos dias 20 e 21 de maio, lideranças empresariais, especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil no Fórum ESG Bahia, consolidando o evento como um espaço estratégico para transformar conceitos em ações concretas.>
O momento é de execução. Menos discurso, mais entrega. Porque, no fim do dia, o mercado não premia intenção — premia consistência.>
*Isaac Edington é presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur) e membro do Conselho Curador do Fórum ESG Bahia.>