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Publicado em 25 de maio de 2026 às 05:30
Tem sido pouco divulgado e por isso continua pouco conhecido o tema dos migrantes e refugiados em Salvador, mas também no Brasil. Os dados e estudos a respeito necessitam ser mais conhecidos e valorizados, estimulando o conhecimento desta realidade, a reflexão e a ação, não somente por iniciativas pessoais, mas principalmente comunitárias. Algumas posturas são frequentemente constatadas perante os migrantes e refugiados, como a negação de sua existência, a indiferença ou a criminalização. A migração forçada, verificada em grande escala na atualidade, tem causado muito sofrimento para as pessoas ou famílias que buscam recomeçar a vida longe de sua pátria, fugindo de guerras, conflitos, miséria, perseguição política ou religiosa, dentre outras causas. É imenso o número de migrantes forçados, de deslocados, de refugiados, de vítimas de tráfico humano e de trabalho escravo. Os sofrimentos se agravam em tempos de xenofobia, tendência tristemente espalhada no mundo de hoje, que rejeita “quem é de fora”, implicando em violência e exclusão. >
O saudoso Papa Francisco resumiu as atitudes a serem adotadas perante os migrantes e refugiados em quatro verbos que deveriam orientar a ação: acolher, proteger, promover e integrar. É preciso conjugar mais estes verbos, indo além do abraço afetuoso, sempre muito importante, desenvolvendo iniciativas concretas de acolhimento e solidariedade, como o serviço de documentação e as oportunidades de estudo, trabalho e moradia digna. É fundamental defender a dignidade e assegurar os direitos fundamentais de migrantes e refugiados, procurando conhecer a realidade local. O mapeamento atualizado da população migrante é um instrumento importante para definir as ações a serem implementadas. Em Salvador, assim como em outras localidades do país, muitos migrantes e refugiados são haitianos, venezuelanos e africanos de vários países. >
Dentre as iniciativas, está a Semana Nacional do Migrante, realizada anualmente por ocasião do Dia Nacional do Migrante, 19 de junho. Neste ano, acontecerá a 41ª Semana nos dias 14 a 21 de junho, com o tema “Migração e Moradia” e o lema “Eu não tenho onde morar”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026 (Fraternidade e Moradia). Na sua realização tem desempenhado papel de especial importância o Serviço Pastoral do Migrante, a Pastoral do Povo de Rua, a Caritas, dentre outras pastorais e instituições religiosas de várias denominações, organizações da sociedade civil e governamentais.>
Trazem alento e esperança as iniciativas da Agência da ONU para os Refugiados, que oferece assistência humanitária, ajudando a proteger e a cuidar, bem como, ações empreendidas pelo Comitê Nacional para os Refugiados e pelo Departamento de Migrações. Mas há um longo caminho a percorrer para acolher bem, tão longo quanto o caminho árduo percorrido com suor e lágrimas por tantos migrantes e refugiados. >
D. Sergio da Rocha, cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil>