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Não perca o ponto!

Fui de Amaralina a Paripe de transportes públicos – BRT, metrô, ônibus convencional

Publicado em 2 de abril de 2026 às 21:08

Ponto de ônibus em Salvador
Ponto de ônibus em Salvador Crédito: Divulgação

A Andança do Observatório do PDDU, em Paripe, em 28 de março de 2026, é um marco na busca por dias melhores para Salvador.

O Observatório do PDDU é uma rede de pessoas que atuam em movimentos sociais, professores de universidades públicas e privadas. Integrante do Observatório, tenho acompanhado, de perto, as discussões sobre a revisão do plano diretor urbano.

Fui de Amaralina a Paripe de transportes públicos – BRT, metrô, ônibus convencional. Um misto de aventura e gincana até chegar em Águas Claras. A estação de ônibus, colada com o terminal rodoviário, tem grande circulação de pessoas, umas apressadas, outras com olhares esperançosos vislumbrando as horas de descanso que se aproximam. Todas pareciam bem familiarizadas com o vai e vem dos coletivos. Menos eu, na minha primeira passagem pela nova rodoviária da capital.

Assim que o amarelinho que me levaria ao meu destino chegou, dirigi-me logo ao cobrador. De início, o ‘cobra’ pareceu-me meio intolerante. Mas, acho, quando eu falei o nome da escola, ele viu em mim uma professora e resolveu me orientar, de forma barrocamente soteropolitana: onde, quando, em quanto tempo e como chegar. Ocupou um bom tempo do longo caminho percorrido, recheado de árvores, obras e carros.

Quando desci, o meu bróder-cobra ainda fez questão de dar as coordenadas para a minha volta, indicando o ponto de ônibus onde eu deveria esperar o coletivo de volta com destino à estação do metrô. Pela janela, anunciou para mim e para boa parte dos transeuntes da larga avenida movimentada de Paripe: Não perca o ponto!

Já no encontro, quantas falas representativas que remetem a séculos e séculos de racismos, descuidados, desrespeitos com a grande parte da população dessa cidade-referência em tantos aspectos: culturais, de força e resistência, de coragem e dignidade. Entre falta de árvores na cidade, obras cheias de concreto que nos impede um ar melhor para respirar, falta de calçadas que contemplem a todos, inclusive cadeirantes e pessoas com baixa visão, ciclovias seguras.

Na volta pra casa, pensei nas pessoas que fazem percursos assim diariamente. De Amaralina a Paripe, 1h30min, e outras 1h30 para retornar. Três horas do sábado pulando de modal em modal, entrando e saindo de transportes públicos, dividindo a viagem com baratas em ônibus barulhentos e sujos. Isso é desumano. Isso não é agradável. E é nesse momento de revisão do PDDU que a população deve chorar as pitangas junta. E reclamar para ser ouvida, consultada e atendida nos seus direitos básicos. Afinal, somos nós, os usuários dessa mobilidade, ainda pouco eficiente de Salvador, quem podemos contribuir para uma cidade melhor para todos que aqui vivem. E quanto mais gente engrossar esse coro, melhor. Um caminho é seguir o insta @obspddu.

Carolina Gomes, jornalista, observadora e usuária dos transportes públicos de Salvador e de qualquer outro lugar