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Flavia Azevedo
Publicado em 2 de abril de 2026 às 10:00
Imagine acordar, se olhar no espelho e se deparar com um rosto redondo, pálpebras pesadas e uma papada mais marcada, chegando à conclusão imediata de que engordou. No entanto, o problema pode não estar no carboidrato ou na fritura, mas sim na sobrecarga emocional e nas "comidas" simbólicas que você anda engolindo diariamente. Para o especialista Marcos Lacerda, viver no limite máximo, entre boletos, pressão profissional e ansiedade constante, altera a fisiologia humana de forma visível. >
Quando o cérebro se sente sobrecarregado, ele entra em um "modo de guerra", preparando o organismo para uma sobrevivência imaginária que exige o armazenamento de energia e água. O resultado imediato desse processo é a retenção de líquidos e um inchaço facial que faz o indivíduo sentir-se, nas palavras bem-humoradas do psicólogo, "inchado feito um sapo".>
Dieta mediterrânea
A inflamação que muda a face>
O impacto vai além da estética, configurando uma inflamação crônica que afeta todo o sistema circulatório e cardíaco. Um estudo mencionado por Lacerda revela que pessoas com níveis constantes de estresse têm a mesma probabilidade de desenvolver problemas cardíacos que um diabético que não controla a doença.>
Essa condição altera a geometria facial e a fisiologia interna, sendo frequentemente acompanhada por sinais físicos que ignoramos no cotidiano, como a mandíbula travada. Muitas pessoas praticam o chamado bruxismo de vigília, segurando raivas e desaforos não ditos diretamente nos músculos do rosto, o que acaba por deixá-lo visualmente mais largo.>
A respiração também denuncia o estado de alerta, tornando-se curta e restrita à parte superior do peito, ao contrário da respiração abdominal plena vista nos bebês. Essa respiração de sobrevivência mantém o cérebro apenas "vivo", mas impede o relaxamento necessário para que o corpo desinflame e recupere seu aspecto natural.>
O preço sistêmico da alma cansada>
O sono é outro campo de batalha, onde o excesso de cortisol impede que se alcance o repouso profundo, resultando em olheiras e pálpebras caídas mesmo após oito horas de repouso. Lacerda enfatiza que nenhum corretivo ou maquiagem resolve o problema, pois a questão é sistêmica e reflete o sofrimento de todo o organismo sob o impacto da sobrecarga.>
A pele também sofre as consequências, apresentando acne adulta, psoríase ou coceiras inexplicáveis que o psicólogo associa a sentimentos reprimidos e raivas não expressas. Com o sistema imunológico ocupado tentando gerenciar o estresse interno, a barreira cutânea fica exposta e a pessoa acaba ganhando um aspecto que julga feio, mas que é apenas o reflexo do cansaço.>
Para combater o "rosto de lua cheia", o especialista sugere uma higiene de sono radical, eliminando telas e notícias pesadas bem antes de deitar para permitir a desinflamação natural. Outra técnica eficaz é o uso de água gelada no rosto ou banhos frios, que estimulam o nervo vago e sinalizam ao corpo que a "guerra" acabou e que é hora de sossegar.>
Finalmente, o psicólogo propõe vigiar a mandíbula e a respiração com lembretes constantes, utilizando o truque de colocar a ponta da língua no céu da boca para destravar a face instantaneamente. A beleza, segundo Lacerda, retorna quando a calma habita a alma, sugerindo que muitas vezes o corpo não precisa de dieta, mas apenas de um pouco de sossego para transbordar serenidade em vez de estresse.>
(Este conteúdo foi extraído do vídeo "SEU ROSTO NÃO ESTÁ GORDO, ESTÁ ESTRESSADO", do canal Nós da Questão, desenvolvido pelo psicólogo Marcos Lacerda.)>