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Publicado em 26 de maio de 2026 às 09:26
O setor agropecuário brasileiro segue demonstrando, na prática, sua importância estratégica para a economia nacional. O recorde de 28 milhões de empregos gerados pelo setor, o equivalente a cerca de 26% de toda a força de trabalho do país, confirma aquilo que já se percebe diariamente em milhares de municípios brasileiros: o campo sustenta empregos, movimenta cadeias produtivas inteiras e impulsiona o desenvolvimento econômico do Brasil. >
Os dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) mostram que o crescimento não ocorreu apenas na produção agrícola e pecuária, mas principalmente nos chamados agrosserviços. Isso significa mais oportunidades em áreas como logística, transporte, armazenagem, tecnologia, comércio, assistência técnica e agroindústria. >
O agro moderno se transformou em um grande ecossistema econômico, capaz de conectar inovação, produtividade e geração de renda. E isso acontece porque o agro brasileiro é competitivo, resiliente e eficiente, mesmo diante de crises econômicas, instabilidade internacional e desafios climáticos. >
Na Bahia, esse potencial é ainda mais evidente. Nosso estado possui uma das agropecuárias mais diversificadas do país. Temos força na produção de soja, milho, algodão e café no Oeste; frutas irrigadas no Vale do São Francisco; pecuária forte em diversas regiões; além da cacauicultura no Sul do estado, que carrega uma tradição histórica e cultural enorme. O agro representa quase 30% do PIB baiano e é responsável, direta e indiretamente, por milhares de empregos.>
Mas a verdade é que a Bahia ainda pode avançar muito mais. O crescimento do agro baiano esbarra, há anos, em gargalos estruturais que limitam investimentos, reduzem competitividade e impedem a geração de novas oportunidades. A deficiência na infraestrutura logística continua sendo um problema grave. >
Outro problema sério é a infraestrutura energética. Existem hoje empreendimentos milionários aguardando apenas a ampliação da rede elétrica para sair do papel. Também precisamos tratar a segurança hídrica como prioridade estratégica. Em um estado com forte presença do semiárido e com regiões altamente dependentes da irrigação, investir em barragens, canais, adutoras e gestão eficiente dos recursos hídricos é garantir futuro para o campo e para as cidades.>
Além disso, é impossível falar em crescimento do agro sem enfrentar um tema fundamental: a segurança jurídica no campo. Infelizmente, algumas regiões da Bahia convivem com conflitos fundiários e invasões de propriedades que geram medo, insegurança e afastam investidores. Nenhuma economia cresce sem estabilidade e sem respeito ao direito de propriedade. >
A Bahia tem terra fértil, capacidade produtiva, vocação agrícola e um povo trabalhador. O que precisamos é criar um ambiente favorável para transformar todo esse potencial em mais desenvolvimento, mais empregos e mais oportunidades.>
Manuel Rocha é deputado estadual e presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia>