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Cesar Romero: Fantasia e cor

  • D
  • Da Redação

Publicado em 12 de janeiro de 2014 às 02:02

 - Atualizado há 3 anos

Chanina Luwisz Szejnbejc era de origem polonesa – judaica e a partir da adolescência começou a desenvolver seu trabalho plástico visual com temas líricos, sonhados, anexando a cultura mineira. Chanina era um homem introspectivo, avesso aos meios de comunicação. Acreditava que sua fala era através da arte. Quando verbalizava algo era de forma cética e por vezes ácida. Morreu poucos meses depois de combinar a realização do livro que leva apenas o seu nome: Chanina. O prefácio é de Manfred Leyerer, diretor financeiro da Vallourec. Com ensaio crítico de Jacob klintowitz, 288 páginas, fotografias de Júlio Hübner, primoroso projeto gráfico de Clara Gontijo. A coordenação do projeto ficou aos cuidados de Robson Soares, a versão para o inglês por Eneida e Stephen Latham e patrocínio da Vallourece com apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do governo de Minas Gerais. Nascido na Polônia em 1927, aos 9 anos chegou ao Brasil com sua família, fixando-se em Minas Gerais. Dez anos mais tarde entrou para a Escola de Arte de Belo Horizonte, onde foi aluno de Alberto da Veiga Guignard. Embora oftalmologista exerceu por pouco tempo a profissão, dedicou toda sua vida às artes plásticas. O livro tem alto padrão de luxo, farto material fotográfico.Jacob klintowitz um dos mais conceituados críticos de artes do país aborda Chanina em alguns aspectos: o universo conceitual e mítico onde ele habita (págs. 24 a 27) e a maneira especial como faz isso. Valoriza a intuição, as singulares percepções, os mitos e a ausência de um pensamento racional. A exaltação de outras civilizações, reconhecendo as diferenças e o que se assemelha num cuidadoso processo de pesquisa. Klintowitz apresenta (págs. 32 a 39) as relações evidentes, as influências sobre Chanina de Marc Chagall e Alberto da Veiga Guignard. Com o primeiro insistiu na pintura, numa época em que ela foi intensamente questionada. Também trabalhou com um grande repertório de sonhos, lendas, transgredindo a fronteira das esferas visíveis e invisíveis. Deu-se uma imensa vastidão cromática, numa estrutura, formal, composta de modo visivelmente livre e espontâneo, tratando imagens com doçura e certa melancolia. Do professor Guignard ganhou o amor pela paisagem mineira, as montanhas das Minas Gerais, o barroco das cidadezinhas, as angulações dos casarios, suas personagens e o cotidiano. Há em Chanina o sentido do perceptível, construído do humano. Alguns assuntos se assemelharam, mas cada um interpreta a sua maneira. Nas páginas 209 a 227 há um resumo de ilustrações com poemas do artista, que abre uma brecha para o entendimento de sua forma de entender o mundo e a sua obra, capítulo intitulado Lirismo: Poemas e Imagens. Dentro destas observações, Chanina destaca Cantiga, um desenho com uma mulher de perfil em azul, envolta em folhagens e acima um coração vermelho suspenso no ar por dois anjos e do próprio punho registrou no centro. “Enquanto tu andas/no asfalto indiferente/flores amargas/anunciam/cantigas de amor’’. Esta série de desenhos/poemas mostra outro lado sensível do pintor que soube manejar palavras, tornando-as inquietas e que durante muito tempo circulou secretamente. Graças ao desprendimento de sua sobrinha Lilian Scheinbein, foi feito revelação.Klintowitz revela uma série de desenhos e pinturas que Chanina fez já debilitado fisicamente, buscando manter-se em atividade, que intitulou O Diário do Artista: Registro dos Últimos Tempos (págs. 269 a 283). Esta coleção é especial, reside o principal de seu alfabeto, o que restou quando tudo se tornou precário. Nesta luta, buscando reparação, o artista recupera ainda que parcialmente o domínio do seu fazer e ressurge a essência de sua obra e a autenticidade de seu universo pictural.Embora seu trabalho tenha sido desenvolvido em Minas Gerais, Chanina teve uma grande importância nas artes visuais de nosso país, deixando um legado importantíssimo que agora tem registro neste seu livro. Um documento pungente para a memória das artes visuais no Brasil.