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Pombo Correio
Publicado em 8 de maio de 2026 às 06:27
Setores governistas já admitem, nos bastidores, um forte incômodo com a postura de Rui Costa (PT) no debate eleitoral baiano. A avaliação de aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT) é que Rui tem tentado assumir o protagonismo político da base, ocupando espaços, fazendo críticas e conduzindo debates que deveriam partir do próprio governador. Entre integrantes do governo, a leitura é de que o movimento tem sido proposital e acaba ofuscando e enfraquecendo completamente Jerônimo.>
Mágoa>
A principal hipótese dentro do grupo governista é que Rui Costa ficou profundamente incomodado após lideranças da própria base descartarem qualquer possibilidade de discutir uma eventual candidatura dele ao governo em 2026 no lugar de Jerônimo. O desejo do ex-governador era visto como evidente, mas os principais caciques governistas fecharam questão em torno da candidatura à reeleição de Jerônimo. Desde então, interlocutores do Palácio de Ondina avaliam que Rui passou a ampliar sua interferência política no estado, o que tem gerado apreensão entre aliados próximos do governador, que enxergam um enfraquecimento crescente da liderança de Jerônimo dentro da própria base.>
Invejoso fracassado>
O ex-ministro Rui Costa passou meses criticando os vídeos publicados por ACM Neto (União Brasil) nas redes sociais. Agora, resolveu seguir exatamente o mesmo roteiro e apostar no mesmo formato para atacar a prefeitura de Salvador. A diferença é que, até aqui, o resultado tem sido um fracasso retumbante. Há vídeo que não conseguiu alcançar nem 100 mil visualizações. É um desempenho constrangedor para quem já foi governador da Bahia e ministro da Casa Civil. E Rui, copia, só não faz igual.>
Derrotado pelos seus>
O governador Jerônimo Rodrigues levou um duro golpe da própria base política esta semana na Assembleia Legislativa. Na última terça-feira (5), a oposição forçou uma verificação de quórum e derrubou a sessão que votaria o 24º pedido de empréstimo, desta vez no valor de R$ 5,4 bilhões, a serem contratados - numa manobra esquisita - através da Embasa. Mesmo com ampla maioria na Casa, o governo não conseguiu mobilizar os 32 deputados que o regimento exige para que haja votação. Detalhe, tinha até petistas entre os ausentes. >
Liderança contestada>
Não é a primeira vez este no ano que a base deixa Jerônimo a ver navios. Em menos de 30 dias, este é o segundo episódio em que o governo é derrotado por falta de quórum: no dia 14 de abril, a sessão que trataria da atualização do Piso Nacional do Magistério também foi encerrada precocemente porque tinha apenas 30 deputados presentes. A situação constrange porque expõe a fragilidade da liderança de Jerônimo, que, em pleno ano eleitoral, não consegue mobilizar nem seus próprios aliados.>
Realidade x mentira>
Desde antes da inauguração, a nova maternidade da prefeitura de Salvador virou alvo preferencial do arsenal político do PT, que tenta desqualificar a unidade praticamente antes mesmo de o primeiro bebê nascer. O problema é que a realidade começou a atropelar o discurso. O fato é que cerca de 75% dos atendimentos realizados pela maternidade são de pacientes vindos do interior da Bahia. O caso que ilustra a situação é a da primeira mulher a dar à luz na unidade. Moradora de Itaparica, ela não conseguiu atendimento adequado nas unidades estaduais e acabou acolhida pela maternidade da prefeitura, onde teve o parto realizado com segurança e assistência completa. >
PT sendo PT>
A assinatura da ordem de serviço para a construção da primeira maternidade da história de Lauro de Freitas virou mais um daqueles episódios em que o PT tenta transformar uma pauta institucional em disputa política. A prefeita Débora Regis (União Brasil) tinha programado uma data para a assinatura da ordem de serviço, mas aceitou mudar para ter a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em claro respeito à institucionalidade, visto que a obra, de responsabilidade da prefeitura, conta com financiamento federal. Foi dela, inclusive, todo o esforço para destravar o processo e garantir que os recursos fossem viabilizados. Mas a turma do PT da cidade tentou de toda forma desqualificar a prefeita, tirar o protagonismo dela e transformar a unidade em moeda de briga política. Coisa baixa do pior nível. >
Indigesto>
Uma liderança importante do interior anda irredutível quanto à possibilidade de apoiar, como fez em 2022, a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues porque considera ter sido traído nas eleições municipais de 2024 por figuras do alto escalão do governo, que agora o procuram como se nada tivesse acontecido. Esta semana, um interlocutor escalado para tentar reverter o quadro gastou todo o seu latim em vão e ainda ouviu verdades para as quais não estava preparado. O ambiente é de mudança.>
Convênios irregulares I>
Uma auditoria recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) revelou um rosário de irregularidades na celebração de convênios entre o governo do estado e prefeituras em 2022, o que levou os auditores a opinarem pela desaprovação das contas. Aquele ano, segundo o documento, convênios foram assinados mesmo sem a documentação devida exigida por lei, sem os estudos prévios sobre viabilidade e efetividade das obras, além da falta de transparência nas publicações oficiais. Como se não bastasse, os auditores identificaram ainda uma manobra para aproveitar licitações antigas em instrumentos de convênios firmados posteriormente.>
Convênios irregulares II>
A lista de atropelos jurídicos encontrados na Conder inclui ainda o escárnio de que o governo do Estado autorizou a liberação de recursos mesmo diante de processos licitatórios com irregularidades. O conjunto de falhas, concentrado em 2022, desenha um cenário de frouxidão nos controles internos que, na prática, abriu caminho para o uso político de recursos públicos às vésperas daquela eleição, e que agora os auditores do TCE trazem à luz com riqueza de detalhes.>
Eu avisei>
O que a auditoria traz à tona foi denunciado à época pelo próprio TCE e pela bancada de oposição na Alba, que já apontava a suspeita de os convênios estarem sendo firmados sem respeitar os critérios legais, visando apenas os interesses eleitorais. Mas pelo jeito, o caso não serviu de lição, uma vez que o PT repete à luz do dia o mesmo modus operandi, tentando coagir prefeitos a partir da liberação de recursos com o mesmo receituário que o TCE acaba de reprovar.>