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Apagão na infraestrutura da Bahia: estradas precárias, ferrovias abandonadas e perda de competitividade

A Bahia é um estado que perde competitividade, afasta investimentos e impõe custos adicionais ao setor produtivo

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  • Editorial

Publicado em 20 de março de 2026 às 05:30

A Bahia enfrenta hoje um verdadeiro colapso em sua infraestrutura. Rodovias deterioradas, ferrovias abandonadas e projetos estratégicos paralisados evidenciam um quadro de estagnação incompatível com a dimensão da economia do estado. Em vez de assumir protagonismo logístico no Nordeste, a Bahia perde terreno para polos mais dinâmicos, como Pernambuco e Ceará, refletindo a falta de planejamento, articulação e, principalmente, de capacidade de execução.

O caso da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) é emblemático. Com trechos na Bahia abandonados ou em condições precárias, a concessão, que foi firmada em 28 de agosto de 1996 e com prazo de 30 anos, se encerra em agosto deste ano. Ainda assim, caminha para ser renovada sem que o estado tenha conseguido impor contrapartidas relevantes. Trata-se de um processo federal, é verdade, mas que exige mobilização política local, algo que simplesmente não ocorreu até agora.

A prometida parceria frutífera entre os governos estadual e federal ficou no discurso. Na prática, a FCA evita fazer investimentos estruturais no corredor Minas-Bahia, que aumentariam a capacidade e a eficiência da ferrovia, como a recuperação de trilhos, modernização da sinalização e ampliação da malha. Em vez disso, a concessionária sinaliza apenas com aportes em material rodante, como compra ou reforma de locomotivas e vagões. Técnicos admitem que dificilmente haverá um novo acordo em menos de cinco meses, cenário que só favorece a concessionária.

A situação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) é ainda mais simbólica do descompasso entre promessa e realidade. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao poder, em 2023, o trecho 1, entre Caetité e Ilhéus, já havia sido concedido à iniciativa privada. Apesar disto, o governo federal não conseguiu destravar o projeto. Em visita a Ilhéus, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, Lula fez anúncios, promessas e projeções, inclusive a inauguração em 2026. Hoje, a obra segue parada. O que existe é a expectativa (mais uma) de atração de um novo investidor, sem prazos claros. Trata-se de uma ferrovia que deveria estar concluída desde 2012.

E mesmo que a Fiol avançasse, esbarraria em outro gargalo: a ausência de um porto funcional. O Porto Sul, sob responsabilidade do governo estadual, permanece restrito a apresentações e planilhas. Sem essa estrutura, a ferrovia perde sentido econômico, o que expõe a falta de integração entre os projetos.

Nas rodovias, o quadro não é diferente. A saída da ViaBahia das BR-324 e BR-116, embora necessária diante do histórico da concessionária, deixou um vácuo. Não há nova operadora, a duplicação segue travada e a insegurança logística aumenta. Outros corredores estratégicos, como a BR-242, que é essencial para o escoamento da produção agrícola do Oeste baiano, continuam à espera de investimentos estruturantes.

O resultado é um estado que perde competitividade, afasta investimentos e impõe custos adicionais ao setor produtivo. A Bahia, que poderia ser um hub logístico entre o interior do Brasil e o litoral, assiste à deterioração de sua infraestrutura sem reação proporcional de suas lideranças governistas. Não se trata apenas de obras atrasadas. Trata-se de uma falha de articulação política, de planejamento e de prioridade.