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Brasil mais caro, país mais difícil

Para milhões de brasileiros, a sensação é clara: trabalhar mais para comprar menos

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  • Editorial

Publicado em 10 de abril de 2026 às 05:30

O Brasil vive um daqueles momentos em que a economia deixa de ser um tema abstrato e passa a pesar, literalmente, no carrinho de supermercado e no bolso de quem precisa abastecer o carro. O custo de vida subiu e rápido. Para milhões de brasileiros, a sensação é clara: trabalhar mais para comprar menos.

Esse retrato fica cada vez mais evidente. A cesta básica na capital baiana, por exemplo, teve aumento de 7,15% entre fevereiro e março, o segundo maior do país, conforme estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O custo médio do conjunto de produtos chegou a R$ 662,14, pressionando ainda mais o orçamento das famílias. Não se trata de itens supérfluos. São alimentos essenciais. O tomate disparou 38,21%, o feijão subiu 15,73%, além de altas na banana, carne e arroz. É a inflação do dia a dia, aquela que não permite o adiamento.

Ao mesmo tempo, a gasolina já ultrapassa R$ 7 em diversas regiões, o que encarece não apenas o transporte individual, mas toda a cadeia de preços - do frete ao alimento na mesa. Quando o combustível sobe, o impacto se espalha pela economia inteira.

O resultado dessa combinação é devastador. Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março, o maior nível da série histórica. Em um ano, o avanço foi de 3,3 pontos percentuais. Ou seja: nunca tanta gente deve tanto e paga caro por isso.

E paga caro porque o crédito está caro. Com a taxa Selic em 14,75%, os juros cobrados ao consumidor seguem elevados. Isso significa parcelas mais pesadas, dificuldade de renegociação e um ciclo de endividamento que se retroalimenta. O brasileiro não apenas deve mais, ele paga mais caro para dever.

Nesse cenário, o papel do governo federal deveria ser o de aliviar a pressão. Mas o que se vê é o oposto. A dificuldade em controlar as despesas públicas mantém o mercado em alerta. Para financiar a dívida crescente, investidores exigem juros mais altos, o que impede a queda da taxa básica. É um círculo vicioso: gasto elevado pressiona juros, juros altos aumentam a dívida, e a dívida maior exige mais juros.

Enquanto isso, a vida real segue cobrando sua conta. Não há política econômica eficaz quando o prato fica mais vazio, o tanque mais caro e o crédito mais inacessível. O país precisa de responsabilidade fiscal não como um conceito técnico, mas como uma resposta concreta à população.