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Editorial
Publicado em 15 de maio de 2026 às 05:00
A inflação voltou ao centro das preocupações dos brasileiros. O avanço dos preços, especialmente dos alimentos, recolocou o custo de vida entre os principais temas da economia e da vida cotidiana no país. E o problema não é pequeno: quando a inflação sobe, ela corrói a renda das famílias, reduz o poder de compra e trava investimentos. >
Os números divulgados pelo IBGE deixam claro esse cenário. O IPCA avançou 0,67% em abril. Embora tenha desacelerado em relação aos 0,88% de março, o índice acumulado em 12 meses voltou a acelerar, passando de 4,14% para 4,39%. Mais grave ainda: a inflação de abril foi a maior para o mês desde 2022. E quem mais puxou essa alta foi justamente o grupo Alimentação e bebidas, responsável sozinho por 0,29 ponto percentual do índice.>
A sensação de inflação é ainda maior porque ela atinge itens essenciais do cotidiano. Cenoura, leite, cebola, tomate e carnes ficaram mais caros. Para a população, principalmente a de renda mais baixa, é justamente o preço da comida que define a percepção econômica do país. Quando o supermercado pesa no bolso, pouco importa se outros indicadores melhoraram.>
Parte dessa pressão inflacionária vem de fora. A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel provocou uma nova escalada do petróleo no mercado internacional. E petróleo caro significa combustível caro. O diesel sobe, o frete encarece e toda a cadeia econômica sente os efeitos. Em um país dependente do transporte rodoviário como o Brasil, isso rapidamente se espalha para os alimentos, para a indústria e para os serviços.>
O próprio IBGE reconhece que o aumento dos custos de transporte influenciou a alta dos alimentos. Não por acaso, o diesel subiu 4,46% em abril, após disparar 13,9% em março. A gasolina também continuou em alta. É o chamado efeito cascata: o caminhão que transporta alimentos roda com diesel; o frete sobe; o preço chega maior ao consumidor final. As medidas anunciadas pelo governo federal nesta semana para tentar conter a alta dos combustíveis podem gerar um alívio temporário no período pré-eleitoral, mas vão impor um custo bilionário ao país.>
O problema é que a inflação elevada impede que o Banco Central reduza a taxa básica de juros. Hoje, a Selic está em 14,5%, um dos maiores patamares do mundo. Em tese, juros altos servem justamente para conter a inflação. Mas o efeito colateral é conhecido: crédito mais caro, consumo mais fraco e investimentos represados.>
Empresas adiam expansão, empreendedores reduzem planos e famílias evitam financiamentos. O Brasil entra, mais uma vez, em um ciclo perverso: inflação pressionada por fatores internos e externos, juros elevados para tentar controlar os preços e redução da capacidade de investimento.>