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Pombo Correio
Publicado em 15 de maio de 2026 às 05:30
O ex-ministro Rui Costa (PT) escalou ainda mais o conflito com o seu criador, Jaques Wagner (PT), ao atropelar, sem o menor constrangimento, as atribuições do secretário de Relações Institucionais, Adolfo Loyola (PT), pupilo do senador que tinha até outro dia o status de principal secretário de Jerônimo Rodrigues (PT). Narram os bastidores que Rui promove encontros e faz encaminhamentos à revelia da interlocução oficial do governo, a ponto de fomentar a fofoca interna de que Loyola foi “demitido sem sair do cargo”. O sinal do atropelo, dizem, é que o ainda titular da Serin parou de publicar as fotos das reuniões políticas que antes fazia questão de exibir. >
Trairagem>
Foi durante um encontro com prefeitos no interior da Bahia que a disputa interna entre Rui e Loyola ganhou as ruas. Enquanto ouvia insatisfações de um dos prefeitos sobre a demora na realização de obras prometidas, Jerônimo chamou o chefe da Serin para tratar da situação, enquanto Rui acompanhava tudo atentamente ao lado. Terminada a conversa, o ex-governador chamou o prefeito reservadamente e pediu que ele repetisse tudo o que havia dito ao governador e a Loyola. Depois de tomar pé do cenário, Rui decidiu intervir por conta própria sem consulta prévia ao governador, o que deixou uma mensagem difusa sobre quem é que efetivamente dá as cartas no grupo governista.>
Indescupável>
Quando era governador da Bahia, Rui Costa costumava dizer que a situação da BR-324 era um problema de natureza federal e que encontrava dificuldade para resolver o impasse justamente porque o governo federal, à época, não era politicamente alinhado ao PT. Pois bem. Lula (PT) voltou à Presidência em 2023, colocou Rui no comando da Casa Civil, o coração do governo, e ainda assim o problema da rodovia persiste sem solução efetiva. Depois de muita reclamação, a concessão da Via Bahia foi encerrada e a 324 ficou sob os cuidados, ou melhor, descuidados do Dnit, uma vez que a situação segue dramática, com acidentes e mortes quase diários. Depois de oito anos como governador e três como ministro, Rui é, para muita gente, o principal responsável pelo estado de degradação das pistas. Não seria exagero se alguém colocasse os acidentes e mortes na conta da negligência do ex-ministro. >
Osso duro>
Operadores eleitorais do campo governista que contestavam haver sentimento de mudança na Bahia já admitem reservadamente dificuldade para convencer lideranças a encamparem uma nova campanha a fim de renovar o mandato de Jerônimo em 2026. A leitura é que o eleitorado que já queria o fim do ciclo petista em 2022 ficou pré-mobilizado e expandiu sua influência, sobretudo diante do desgaste de 20 anos da gestão petista. Até mesmo prefeitos capturados por força da máquina estadual sinalizam que o humor dos munícipes não é mais o mesmo. >
Decepcionado>
Depois de anos a fio fazendo sucessivas campanhas em apoio ao PT na Bahia, o ex-prefeito de Filadélfia, Barbosa Júnior, anunciou que dessa vez apoiará a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo do Estado. Em tom de desabafo, Barbosinha disse ter ficado decepcionado com a forma como o governador Jerônimo vinha tratando antigos aliados. O movimento teve dura repercussão na base governista porque acreditava-se que, apesar das insatisfações, ele permaneceria ao lado do governo a qualquer custo. >
Cena antiga>
Uma inspeção realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) em 2024 sobre convênios firmados pela Sesab com prefeituras baianas em 2022, último ano do ex-governador Rui Costa, mostrou que não é de hoje a crise das promessas não cumpridas. Da amostra analisada pelos auditores, quase 70% dos convênios estavam paralisados, com baixo percentual de execução ou sequer haviam sido iniciados dois anos depois, já sob o governo Jerônimo Rodrigues. Em muitos casos, os convênios precisaram ser prorrogados até 2025 porque as intervenções simplesmente não saíram do papel. O mais constrangedor para o governo é que uma auditoria anterior já havia apontado exatamente a mesma prática. Em 2026, a cena se repete.>
Esparro jurídico>
Diante desse cenário, muitos prefeitos não escondem a preocupação de serem acionados pelos órgãos de controle uma vez que juridicamente são corresponsáveis pela celebração, andamento e execução dos convênios. Em muitos casos, gestores tiveram que devolver recursos, reiniciar todo o trâmite burocrático ou ainda arcar com novos custos de projetos e adequações técnicas para tentar salvar intervenções que nasceram atropeladas. Em meio ao calor de uma nova corrida eleitoral, que faz o governo agir como se não houvesse regras, alguns gestores têm sido advertidos a adotarem cautela sob pena de acabarem sendo arrastados a um esparro jurídico.>
Calote junino>
Por trás do cancelamento do São João do Governo do Estado no Parque de Exposições deste ano estão dois ingredientes de ordem política e artística. O primeiro é que o governo, sob alegação de “descentralizar” a festa para outros bairros de Salvador, quer usar a janela de entretenimento para cooptar lideranças soteropolitanas ao projeto de reeleição de Jerônimo, já que os argumentos políticos não convencem. O segundo é de razão contábil, diante do calote que o Estado vem dando em cantores e bandas que ainda esperam receber os cachês de festejos juninos de dois, três anos atrás. Ou seja, enquanto não regularizar a situação, a zabumba não vai tocar.>
Bola fora>
O secretário estadual da Cultura, Bruno Monteiro, deu uma bola fora nesta semana ao gravar um vídeo para criticar a Prefeitura de Salvador por conta da entrega da primeira maternidade municipal da capital baiana. Primeiro, Bruno foi cobrado pelos péssimos resultados da Cultura no Estado, inclusive com críticas públicas da classe artística baiana. Depois, no vídeo, Bruno cita as maternidades estaduais que funcionam em Salvador, sem dizer que praticamente todas elas foram feitas em governos anteriores aos petistas. Por fim, ele ainda citou um atraso na entrega da maternidade, mas o que dizer sobre a Ponte Salvador-Itaparica, a Fiol e o Porto Sul de Ilhéus, obras prometidas desde o início dos governos do PT e que nunca saíram do papel? >
Alerta verde>
A área ambiental do governo Jerônimo ficou preocupada nesta semana com a repercussão dos absurdos que ocorrem na Serra da Chapadinha, região que vem sofrendo com diversos problemas relacionados a mineração, exploração ilegal de madeira, expansão imobiliária e grilagem de terras. A gestão petista tenta, a todo custo, esconder o caso, mas a situação vem ganhando cada vez mais repercussão, enquanto o governo segue em silêncio. E o pior: seguem também em silêncio os ambientalistas de araque que adoram falar sobre o tema ambiental em Salvador, mas seguem calados diante deste e de tantos absurdos relacionados aos governos do PT, inclusive na capital, como a devastação que está sendo feita na região do Subúrbio para a duplicação da Estrada do Derba.>