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Oportunista, abusador ou todo canalha é simpático

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 23 de dezembro de 2018 às 11:21

 - Atualizado há 3 anos

. Crédito: .

"Passa no seu cartão?", "me empresta uma grana?", "posso usar seu carro hoje, amanhã e depois?"...e o assédio é tanto que, por mais permissiva que você seja, uma hora enche o saco. Provavelmente, quando já há um vínculo que te faz pensar "mas, poxa, ele tá num momento difícil" ou "parceria é isso", se você for um pouco mais vulnerável. Possivelmente, quando seu incômodo chegar, os animais da casa já estarão comendo na mão dele, assim como os idosos, as crianças e seus amigos mais chegados. E aí, você fica sem graça. O modus operandi obedece a um padrão que inclui a sedução de todos do seu ambiente. Sim, você está se relacionando com um oportunista, um abusador, e, não se engane: todo canalha é simpático.

A maioria, foca em sugar dinheiro. Outros, usam a sua estrutura como se deles fosse, sem a menor cerimônia. Há os que beiram a normalidade e os que são quase (ou mesmo) psicopatas. A atuação também depende do que você permite e segue a lógica "antes pouco do que nada". Os mais inteligentes, manipulam com maestria, mas a maioria se contradiz e é só saber escutar. Baixa autoestima e confusão emocional são características comuns nesse personagem que vamos desvendando, aos poucos, num tipo de trama que pode acontecer dentro das nossas casas. Sim, porque ele "se apaixonou" rapidamente, te "pediu em namoro" e, provavelmente, já guarda parte das roupas dele em seu armário.

(Te fiz lembrar alguém? Aham, eu sei, claro.Todas nós já vivemos - ou conhecemos uma mulher que viveu - um desses casos)

Dificilmente o sexo é "maravilhoso", os momentos são "incríveis", os encontros são "sensacionais", porque nada é de verdade. No entanto, esse tipo de adjetivo estará presente na narrativa criada por ele, sobre a história entre vocês. Ele quer que a mulher acredite estar vivendo um relacionamento "único" e que, com isso, abra a guarda. O que acontece, frequentemente, com as mais frágeis. Se o seu nível de carência for alto, é possível que detalhes passem batidos: um jeito de transar sem entrega, um mesmo apelido repetido para diversas namoradas, a manutenção frenética de sedução com outras mulheres, grande facilidade ao mentir e relacionamento estranho com as ex. Observe: esses homens não aprofundam. Transar, conversar, passear de mãos dadas... eles podem até curtir, mas é parte do trabalho. 

"Ah, mas eu não sou rica". Ô, amiga, oportunistas são tipos baratos. Enquanto não aparece uma alternativa mais rentável, até a conta do botequinho e o sorvete na esquina, valem. É um jeito, estilo de vida, hábito de se encostar, levar alguma vantagem. "Ah, mas ele trabalha". Ok. E também nesse aspecto ele vai dar um jeito de te usar. Na divulgação de um serviço ou captação de clientes, se for autônomo, o cara. Se ele for artista, você vira divulgadora, produtora e "empresária". Por "amor à causa". No caso de emprego fixo, você vai "adiantar" valores, sem a menor garantia de que será reembolsada. Cobrando, você pode até receber. Mas, pôxa, aí você não estará sendo "parceira" nem agindo como a "mulher amada". O fluxo só tem uma via, é "venha a nós, ao vosso reino... nada".

(O que ele faz com o dinheiro dele, só deus sabe. Provavelmente, paga pequenas contas para próxima vítima, porque ele não mostra quem é, logo de cara)

Tipinhos bem comuns que podem enganar por algum tempo, mas não para sempre, claro. A ausência de amigos de longa data, histórias confusas no passado e o silêncio que as pessoas próximas a ele fazem quando apresenta "a nova namorada", são algumas pistas de que o mancebo "apaixonado" pode ser uma baita roubada. Se você for bem atenta, entende rapidamente e já fica avisada. Querendo pegar, pegue, e banque o que achar que vale. Mas mantenha o controle disso, sem ele desconfiar.

Não é um romance, saiba. O certo era um pé na bunda, quando ele menos esperasse. Assim você dá melhor destino pro dinheiro que gastaria no presente de Natal do traste (e pro que ele vai te pedir, para "pequenas despesas", fato). Quer levar o peru para a ceia? Então, leve, mas fique ligada. Boa dica é fingir demência, não entender indiretas e reclamar quase todo dia de como a crise tá braba. Com os dois olhos abertos - e a carteira bem fechada -, você vai tratar a relação exatamente como o que deve ser: mais uma bobagem pra a conta, assunto pra rir com as amigas, experiência de vida ou mero "estudo de caso". 

(Mas não dispense os contatinhos e, depois de brincar, vaze)

(Ah, e ria quando souber que ele diz "fui eu que terminei e só não somos amigos porque ela continua apaixonada". Isso também é um clássico)