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Publicado em 7 de abril de 2014 às 07:31
- Atualizado há 3 anos
Jornalistas, em geral, adoram personagens e têm nos clássicos uma oportunidade única de contar casos de superação, de paixão, de troca de escudos. O Ba-Vi tem tudo isso e colocou olhares atentos em Souza e Maxi. Imagine a resenha se Souza fizesse um gol ontem? O Caveirão não viu nem a bola. Maxi teve participação acentuada: no primeiro gol, recuperou a bola entregue afetuosamente por Rodrigo Defendi e partiu para a tabelinha perfeita com Talisca, autor do gol. Mas o nome do Ba-Vi foi outro.>
Poderia ser o próprio Talisca. Garoto da base, talento genuíno, simplicidade e marra inseparáveis, visão de jogo diferenciada, passes a rasgar a defesa adversária, categoria para ajeitar o corpo e bater de chapa no cantinho de Wilson. Um belo gol encerrando uma bela jogada. >
Também saiu dos pés de Talisca o escanteio do segundo gol, que Fahel e toda a torcida tricolor agradecem a Cáceres pela capacidade de ficar parado olhando somente para a bola (Defendi colabora, em proporção menor) enquanto o camisa 5 tricolor voa sozinho e completa a jogada mais manjada do Bahia há pelo menos três anos. É... pensando bem, Talisca é sim um dos nomes do 2x0 que deixam o tricolor em posição mais tranquila para o jogo do título, em Pituaçu.>
Mas não o único. E, considerando que ele não estará em campo no próximo domingo, faço questão de destacar o papel de Uelliton no clássico. Obviamente que não pela expulsão aos 16 minutos do segundo tempo, em lance com Hugo que fugiu do alcance deste colunista. Também não por ter sido revelado no Vitória e agora estar no Bahia, o que enriquece a história, mas não é o suficiente. A importância de Uelliton se traduz na capacidade, talvez única entre os 22 titulares do clássico, de entender o que é o Ba-Vi.>
Uelliton deu de bico na hora certa, ganhou praticamente todas as disputas pelo alto apesar da estatura não mais que mediana, catimbou quando precisava, arrancou cartão amarelo de dois jogadores do Vitória (Juan e Souza) em um lance só, foi certeiro nos desarmes. Fez o papel que, há dois ou três anos, cabia a ele no Vitória e a Ávine no Bahia. Nesse aspecto, o tricolor perdeu Ávine e ganhou Uelliton; o Vitória perdeu Uelliton e não achou substituto. Quem, no time atual do Vitória, encarna o espírito de Ba-Vi? Ninguém.>
Claro que futebol se ganha quase sempre na bola e o Bahia ganhou porque jogou melhor e aproveitou as conhecidas fragilidades do rival. Mas, ao ver o clássico de ontem (o anterior também), o time tricolor mostrava uma raça que o conjunto rubro-negro não conseguia colocar em campo. O Bahia jogou como se fosse final de campeonato; o Vitória achava que não precisava dar algo mais para sair vencedor.>
De volta a Uelliton. Se ele é muito forte no jogo emocional, também ajuda o time tecnicamente. Em campo, o volante foi fundamental para proteger um zagueiro como Demerson, que isola pra onde o nariz empina, fez a cobertura pela esquerda e muitas vezes recuou para dar qualidade à saída de bola do Bahia, com lançamentos precisos. Uelliton mostrou que, seja de que lado estiver, ele sabe que Ba-Vi é sempre guerra.>
TREINADORES >
Louvável a atitude de Ney Franco ao reconhecer que o concorrente Marquinhos Santos foi melhor que ele na estratégia do clássico. O Bahia funcionou; o Vitória, não. Tão criticado por enaltecer o Leão após perder o Ba-Vi passado, dessa vez Ney manteve os pés no chão. >
Não deixa de ser uma estratégia já pensando no jogo de volta. Mas ele sabe que o time precisa melhorar. E que o tempo está cada vez mais curto. Após três clássicos no ano, o Vitória não ganhou nenhum. Sem Hugo, o que o técnico pode fazer para o meio-campo criar mais e a defesa falhar menos? Esse é o mistério, só que o cobertor é curto. E resta uma semana.>