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Miro Palma: a difícil vida dos técnicos brasileiros

  • D
  • Da Redação

Publicado em 30 de novembro de 2015 às 02:36

 - Atualizado há 3 anos

Somente um clube entre os 20 que disputam a Série A encerrará o campeonato com o mesmo treinador que começou: o Corinthians. Pode não ter sido determinante, mas a permanência de Tite contribuiu bastante para o alvinegro paulista realizar uma campanha tão brilhante e invejável, que lhe rendeu o hexacampeonato nacional. Para a tristeza do nosso futebol, o caso corintiano é uma exceção e, por isso, chegou a hora dos nossos dirigentes repensarem um pouquinho o modo como o planejamento é executado no mundo da bola.Pela primeira vez desde 2003, quando foi implantada a fórmula de disputa por pontos corridos, 19 times trocaram de técnico no Brasileirão. Um recorde de instabilidade e falta de gestão por parte dos dirigentes. Para a surpresa de muitos, até Levir Culpi, vice-líder da competição com o Atlético Mineiro, foi demitido na quinta-feira passada. No Galo desde abril do ano passado, o comandante havia sido campeão mineiro, da Copa do Brasil e Recopa Sul-Americana. Teve chances de levar título Brasileiro até a 35ª rodada e nem assim conseguiu escapar da demissão.Os casos surpreendentes não param por aí. O Goiás, por exemplo, rumo à Série B em 2016, teve a façanha de contar com seis treinadores em um único campeonato, sendo dois de forma interina: Augusto César e Wanderley Filho. Além deles, Hélio dos Anjos, Julinho Camargo, Artur Neto e Danny Sérgio, este último o atual, não tiveram a varinha mágica pretendida pelos diretores do clube para fazer o esmeraldino realizar uma boa campanha na elite. Por coincidência (não acho), a equipe passou o ano inteiro brigando na parte de baixo da tabela.Mesmo na quarta colocação e muito próximo de conquistar uma vaga na Copa Libertadores da América do próximo ano, o São Paulo seguiu a linha dos incompetentes. Exemplo de boa administração há alguns anos, quando conquistou o tricampeonato brasileiro de forma consecutiva com Muricy Ramalho no comando (2006, 2007 e 2008), o tricolor paulista perdeu o rumo. A crise política de 2015 fez o time ter altos e baixos em campo, representando também uma inconstância surreal fora das quatro linhas. O time começou com Milton Cruz de forma interina, contratou o colombiano Juan Carlos Osório, depois optou por tirar Doriva da Ponte Preta e, por fim, terminará o campeonato novamente com Milton Cruz.Outros clubes, conceituados como “grandes”, também entraram nessa ciranda interminável de trocas. Assistimos as derrapagens de times como Flamengo (Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira e Jayme de Almeida), Cruzeiro (Marcelo Oliveira, Vanderlei Luxemburgo, Deivid e Mano Menezes), Palmeiras (Oswaldo de Oliveira, Alberto Valentim e Marcelo Oliveira) e Fluminense (Ricardo Drubscky, Enderson Moreira e Eduardo Baptista).  Incrível como as mudanças acontecem, mas os nomes são praticamente os mesmos.Para onde vamos seguir? Existe chance de mudança? Dorival Júnior, atualmente como técnico do Santos, concedeu uma interessante entrevista à Folha de S. Paulo na semana passada. De 2004 pra cá, ele treinou 12 equipes, sempre com o prazo de validade próximo de terminar. “É uma falta de cultura que vai continuar prevalecendo. A grande verdade é que o dirigente tem que se preparar melhor, e a mídia tem que parar de ser tão agressiva. Está na hora de pararmos de associar as derrotas à figura do treinador. A ciranda vai continuar. Nosso país carece de pessoas que assumam responsabilidades. É muito fácil apontar o dedo, mas ninguém volta o dedo a si mesmo”.Serve de reflexão. Talvez algum dia nosso futebol consiga trilhar o caminho da Premier League, na Inglaterra, por exemplo, uma das ligas mais organizadas e ricas do mundo, onde as trocas de técnico são raríssimas. Hoje, ao menos seis clubes são dirigidos pelo mesmo treinador há, no mínimo, três temporadas: Arsenal, Bournemouth, Chelsea, Everton, Manchester City e Stoke City. Outros, por sua vez, têm técnicos há mais de um ano no cargo, enquanto apenas três (Aston Villa, Liverpool e Sunderland) estão de comandante novo para a temporada. Pode ser só um sonho, mas quem sabe um dia o Brasil chegue a esse patamar. Quem sabe...