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Pombo Correio
Publicado em 3 de abril de 2026 às 05:30
O PT submeteu o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) à maior humilhação política recente da Bahia com toda a indefinição em torno da formação da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A indefinição sobre a vice já se arrasta há semanas com muitas idas e vindas, mais de 20 nomes consultados ou especulados para a posição e, diante disso tudo, Geraldo segue sendo avacalhado publicamente. Nos últimos dias, o emedebista praticamente foi dormir confirmado na vice e acordou fora dela. Em um dos dias, Jerônimo chegou a bater o martelo, mas teve que voltar atrás após protesto veemente e indignação do ministro Rui Costa (PT), que já vetou Geraldo. Tudo isso tem sido feito com declarações públicas e movimentos explícitos com requintes de crueldade e sem qualquer constrangimento. Aí fica a questão: se o PT é capaz de tratar assim um aliado e um partido que considerou fundamental nas eleições de 2022, imagine o que pode fazer com os demais? >
Final imprevisível>
O pior de tudo é que o roteiro da novela em torno da vice de Jerônimo terá um final completamente imprevisível. Com a série de negativas recebidas, há quem diga que Geraldo vai mesmo ficar no posto por falta de opções. Contudo, observadores da política e parlamentares apostam que não há mais clima nem ambiente para a continuidade do vice-governador na chapa diante da humilhação pública. Inclusive, quando essa coluna for publicada, é até possível que o martelo tenha sido batido.>
O povo se diverte>
Essa indefinição virou piada. No interior, diversas lideranças passaram a fazer cards especulando que poderiam ser vice de Jerônimo. Nas redes sociais de páginas de notícias, diversas pessoas comentaram com piadas. "Eu já tô com medo de acordar com Jerônimo na minha porta me convidando para ser vice", brincou uma pessoa. Na Assembleia Legislativa, a brincadeira do momento é dizer que até a posição pode ficar com o icônico Nelito, que já avisou não ter interesse.>
Coincidência>
Publicadas no Diário Oficial no último 1º de abril, duas dispensas de licitação do governo chamaram atenção não só pelo conteúdo, mas também pela coincidência da data. Tratam-se de obras em unidades escolares em diversos municípios, cujos contratos originais para construção, ampliação e reforma de escolas foram assinados ainda em 2024, mas acabaram rescindidos pelas empresas vencedoras. Dois anos depois, o Estado decidiu retomar os projetos, mas sem submeter a um processo licitatório. Talvez pela urgência eleitoral que bate à porta, uma vez que o governador Jerônimo sofre pressão pública por promessas não cumpridas. As obras, que só existem no papel, curiosamente deram as caras justamente no Dia da Mentira.>
Pague o PAC I>
O governador Jerônimo chegou ao 24º pedido de empréstimo na Assembleia Legislativa e já ultrapassa a dívida de R$ 30 bilhões. Mas dessa vez, o petista inovou e colocou a Embasa para contratar diretamente com a Caixa uma operação de R$ 5,4 bilhões. Além do ineditismo da manobra, também chama a atenção o destino dos recursos, que serão usados para bancar obras do PAC anunciadas pelo governo federal. Na prática, Brasília anuncia e a Bahia paga a conta, e nesse caso com juros. Esse modelo desmonta mais uma vez a narrativa de que o alinhamento político da dobradinha Lula-Jerônimo traria soluções à Bahia. Em vez de alívio financeiro, a parceria injeta endividamento no futuro do estado.>
Pague o PAC II>
A propósito, o governo da Bahia já havia incluído no pacote de empréstimos solicitados recursos para financiar o projeto de levar o metrô até o Campo Grande. Ou seja, o Estado já buscava no mercado o dinheiro para ter dotação a fim de calçar a papelada do empreendimento que teve assinatura do presidente Lula nesta sexta-feira (2) em Salvador com o carimbo do PAC, como se fosse uma dádiva ao povo baiano. Em termos práticos, a Bahia segue pagando a conta, e fiado.>
Menos, companheiro>
Ainda sobre o evento de Lula em Salvador, uma cena hilária do prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), pego em flagrante pelo próprio presidente, rapidamente virou meme nas redes sociais. Ao ser perguntado por Lula sobre quanto Camaçari havia recebido do governo federal para políticas no campo da Cultura, Caetano disparou um número tão fora da curva que até o presidente precisou desmentir ao vivo, indo aos risos com o embaraço do correligionário. “Não foi R$ 400 milhões, foi menos”. O constrangimento foi geral.>
Quem fala o que quer...>
O governador Jerônimo Rodrigues ficou desmoralizado após tentar culpar a Prefeitura de Salvador pelo adiamento da entrega de uma obra do Minha Casa Minha Vida na capital baiana, que teria a presença do presidente Lula na passagem do mandatário petista pela cidade nesta sexta-feira. Na fala de Jerônimo, a prefeitura não teria liberado o Habite-Se, o que teria impedido a inauguração. Mas, na realidade, há diversas pendências na documentação e, pasmem, a obra ainda nem terminou. Ou seja, queriam entregar uma intervenção inacabada. Resultado: pegou mal para o governador.>
Na bronca>
A deputada federal Lídice da Mata, presidente estadual do PSB, não ficou nada satisfeita com a saída da deputada estadual Fabíola Mansur e, principalmente, com a forma como se deu o desembarque da parlamentar do ninho socialista. Em um evento nesta semana, inclusive, Lídice teria dado uma bronca pública em Fabíola, que havia decidido migrar para o PSD, mas acabou indo para o PV.>
Tudo verde>
A pérola da janela partidária até o momento foi a filiação dos deputados estadual Antônio Henrique Junior e Eduardo Salles ao PV. Os parlamentares são defensores natos e convictos do agronegócio, setor econômico que sistematicamente é atacado pelos verdes. Haja conveniência política, hein?!>