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Da Redação
Publicado em 18 de novembro de 2010 às 11:55
- Atualizado há 3 anos
Redação CORREIO>
Há cinquenta anos, os baianos ganharam a sua primeira emissora de televisão, a TV Itapoan, pertencente ao grupo dos Diários & Emissoras Associadas, inaugurada em 19 de novembro de 1960 sem a presença de seu proprietário, Assis Chateaubriand, que em 27 de fevereiro daquele ano sofrera um derrame e desde então vira sua rotina reduzida a uma cama e uma cadeira de rodas com médicos e enfermeiras em volta.>
Nove anos depois, os baianos viram nascer a TV Aratu, mais tarde (1981) a TV Bandeirantes e, em 1985, a TV Bahia e a TVE, respectivamente. Esta última pertencente ao Estado.>
O início da televisão na Bahia, como no resto do país, foi mais um acontecimento social, um factoide, que nem a implantação da TV digital no Brasil, para citar um exemplo recente. Alguns anos foram necessários para que o veículo de fato se consolidasse na terrinha, conquistando uma audiência pelo menos representativa em relação aos demais veículos de comunicação: A Tarde, Jornal da Bahia, O Estado da Bahia, Diário de Noticias, Rádio Sociedade, Rádio Excelsior e Rádio Cultura.Nos seus primórdios, a televisão não tinha audiência, no sentido de mídia de massa, por vários fatores: o elevado custo dos aparelhos receptores, a cobertura limitada (praticamente restrita a 100 quilômetros) e a própria demanda do consumidor (televisão não era prioridade): em 1960, o Brasil possuía apenas 598 mil aparelhos de TV em uso (Abinee) para uma população de 70,1 milhões de habitantes, residente em 13,5 milhões de domicílios (IBGE).>
Ou seja, a televisão chegava a menos de 5% dos domicílios brasileiros; no caso específico da Bahia, naquele tempo muito pobre (mais de 70% das casas ainda usavam fogão a lenha), com certeza esses índices eram mais modestos.>
Mas, a despeito dessas dificuldades de ordem técnica, econômica e cultural, a chegada da TV causou um grande impacto, devidamente repercutido pelas mídias impressa e radiofônica. Até porque a TV Itapoan, desde dezembro de 1956, realizara transmissões experimentais em praça pública, com infraestrutura da Rebratel, no discurso, para satisfazer a curiosidade da população, mas com o objetivo real de motivar eventuais investidores. Uma ação promocional.>
A emissora foi constituída com o aporte de capital de 40 mil ações, que representavam 30 milhões de cruzeiros, 75% do orçamento previsto pelos Diários & Emissoras Associadas. Ações adquiridas, dentre outras autoridades e empresários, pelo governador Antônio Balbino, cardeal dom Álvaro Augusto da Silva, prefeito Helio Machado, Norberto Odebrecht, Alfeu Simões Pedreira, Jorge Kertész, Raul Seixas (pai de Raulzito), Fernando e Jorge Correa Ribeiro, Alberto Martins Catharino, Clemente Mariani, Álvaro Lemos, Antônio Lomanto Junior, Lafayette Pondé, Enock Silva, Milton Lisboa Sampaio, Mario Portugal, Alfredo Joaquim de Carvalho, Gilberto Sá...>
Em 19 de novembro, os baianos que tinham adquirido os 3 mil aparelhos de TV das marcas Invictus e Philco, à venda nas Lojas Correa Ribeiro e Florensilva, assistiram a solenidade oficial de inauguração, presidida pelo governador Juracy Magalhães e, logo em seguida, à programação regular, que teve inicio às 19 horas, encerrando as transmissões à meia-noite.>
A grade de programação contemplava o telejornal, apresentado por Gastão do Rego Monteiro, Clube da Amiguinha, com apresentação de Maria Anita, Cineminha Itapoan, Grande Teatro TV, musical de Gilvan Chaves, nesse ano eleito o melhor cantor brasileiro de folclore, e o programa de perguntas Adivinhe o que Ele Faz. Um ano depois vieram os seriados americanos que encantavam os televizinhos: O Patrulheiro Toddy, Rin-Tin-Tin, Eu Quero Lucy e Lassie e vieram também as agências de publicidade, que assumiram a programação (terceirizando conteúdos) e viabilizaram o veículo, mas isso já é outra história.>