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Os catálogos telefônicos

  • D
  • Da Redação

Publicado em 23 de setembro de 2010 às 09:00

 - Atualizado há 3 anos

Tenho um apreço todo especial pelos catálogos telefônicos, ou listas telefônicas, como muita gente prefere chamar; a denominação prioriza o telefone sobre o endereço, já que os referidos catálogos são também listas de endereços, compreensível pela importância que a invenção de Alexander Graham Bell ganhou no século XX. Coleciono alguns deles, desde o ‘Indicador Baiano’, lançado em 1936, passando pelo ‘Estribela’, lançado em 1953, o ‘Onde Salvador’, lançado na década de 60, até as atuais listas da Editel/Publicar. Enxergo nas listas telefônicas muito mais do que uma relação de endereços e telefones. Nas páginas dos catálogos pulsa a cidade e ainda hoje é o melhor instrumento para a criação de mailing list específicos, pouca gente se dá conta disso.

Praticamente nada foi escrito sobre a história dos catálogos (consulto o Google e só encontro meus textos), mas tenho a impressão que o índex de endereços tem alguma coisa a ver com a organização do sistema de distribuição de correspondências, as malas postais quando essas deixaram de ser entregues em repartições do governo para seremdistribuídas nas empresas e residências. No caso específico do Brasil, o catálogo mais antigo é da Bahia, editado em 1812 com o nome de Almanach da Província da Bahia, impresso na tipografia de Manuel da Silva Serva. O seu objetivo principal era relacionar o funcionalismo público com os seus respectivos cargos e repartições de origem.

Mas, também relacionava todos os profissionais liberais, detalhando a sua habilidade, ou negócio (marmorista, alfaiate, farmacêutico, médico, professor) e o respectivo endereço onde poderiamser encontrados. No século XX, já com o telefone incorporado como importante instrumento de comunicação, os catálogos passam a relacionar também o número do telefone, três dígitos, mas como uma informação adicional, já que a maioria da população não usufruía do serviço, que era caro, e de certo modo inútil numa cidade pacata e pequena, onde a comunicação ainda se dava no grito.

No ‘Indicador Baiano’ (com capa ilustrada pelo artista português Raimundo Aguiar) lançado em 1936 surge uma novidade: o catálogo incorpora mapas de localização e o grande diferencial em relação a outros produtos semelhantes, detalhava o carro e modelo de cada assinante que possuía um veículo automotivo. Assim, ficamos sabendo, por exemplo, que Agenor Gordilho possuía um Cadilac, Carlos Martins Catarino, um Chrysler, Arnold Wildberger, um Jordan, Carlos Costa Pinto, um Locomobile e o Dr. Aristides Maltez, um Hupmobile.

A lista telefônica ‘Estribela’ inovou no formato e na prestação de serviços, relacionando, além de endereços comerciais, os pontos de bondes e de ônibus e até histórias e lendas das ruas e logradouros da cidade. Era uma iniciativa da colônia espanhola, editado na Tipografia Naval.Umoutro catálogo, o ‘Onde Salvador’, que na sua primeira edição destacava na capa a Rua Chile, em ilustração de bico de pena dos alunos do artista Juarez Paraíso, acrescentou aos endereços e telefones de praxe uma seção de cartografia. Inseriu plantas inéditas da cidade, num anexo de mais de 40 páginas, impressas em papel couchê, para destacar a seção do resto do catálogo impresso em papel jornal.

Nenhum catálogo antigo foi mais ousado na sua proposta do que o ‘Indicador Baiano’, que multiplicou os serviços e informações a ponto de relacionar também os endereços telegráficos dos assinantes: o da Rádio Sociedade era radiobahia, o do jornal Estado da Bahia era Grêmio, o do agente de viagens Miguel Conde era Brazi, o do colégio Antônio Vieira era Cavi, o do empresário Manuel Joaquim de Carvalho era Zenha, o do industrial Orlando era Moscozo Mozosoco e o do Instituto Feminino da Bahia era Betânia.