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Os números vermelhos no PT, as repromessas de Jerônimo e a raiva do aliado traído

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 24 de abril de 2026 às 06:58

Presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues
Presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues Crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação

Uma pesquisa para consumo interno fresquinha, recém-saída do forno, deixou o grupo governista na Bahia desnorteado. Segundo fontes da coluna que tiveram acesso aos números, a preocupação chegou ao nível máximo em todos os cenários. No nacional, o presidente Lula (PT) teve uma queda maior do que em levantamentos anteriores, e a estimativa interna é de uma perda de quase 1 milhão de votos no cenário apontado. No estadual, o quadro é ainda pior e aponta uma derrota do governador Jerônimo Rodrigues (PT) por uma vantagem considerável. O clima de tensão tomou conta da cúpula governista após apresentação dos números.

A origem do ódio

No cenário para o Senado, a situação é igualmente ruim. Embora o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) apareça na liderança, a diferença para os demais postulantes é muito menor do que o propagado por petista nos bastidores. Além disso, o desempenho de Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) foi considerado surpreendente para o momento atual. Talvez isso explique a irritação e o ódio que Rui Costa tem destilado nos últimos dias.

Conceito ‘repromessa’

Anos a fio sem marca de gestão, o governador Jerônimo conseguiu na reta final do mandato emplacar um conceito inusitado: o da ‘repromessa’. O que foi anunciado na campanha de 2022, e obviamente não saiu do papel, ganha agora uma nova roupagem para ser prometido novamente. É o caso do projeto “Flores da Bahia” em Maracás, onde a comunidade local assistiu com indignação a mais um anúncio da mesma coisa. Dizem que daqui por diante essa será a tendência, mas a paciência e o humor no interior já não toleram mais reprise de campanha, que troca o figurino, mas mantém o roteiro da falta de entregas. A pergunta que fica nas cidades é que garantia há de que realmente as coisas vão sair do papel.

Aliado traído

Depois de enfrentar uma oposição ferrenha do PT na disputa municipal de 2024, o prefeito de Bom Jesus da Lapa, Eures Ribeiro (PSD), levou novamente um golpe duro do PT, desta vez com a indicação da ex-prefeita de Cotegipe Márcia Sá Teles para a superintendência da Codevasf, instalada justamente no município que ele administra. Eures, que já havia sinalizado disposição em deixar as querelas do passado no passado e apoiar a chapa puro-sangue petista, foi solenemente ignorado. Especialmente porque Márcia fez campanha contra o PT em 2022 e é vista como bolsonarista na região. O desabafo do prefeito aconteceu em um grupo de WhatsApp: “A força do povo da Lapa tem que ser respeitada”, disse, ao classificar a decisão como um “circo sem lona”. E alertou ainda para possíveis prejuízos eleitorais este ano: “O PT parece que quer perder. É o que vejo”.

Trator vermelho

O grupo governista na região de Irecê anda em pé de guerra. Tudo isso porque, segundo fontes da coluna, um deputado estadual do PT estaria invadindo bases de outras lideranças da base na localidade, provocando uma verdadeira irritação geral. O movimento, ainda conforme interlocutores da região, é patrocinado pelo prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), que busca fortalecer o deputado aliado. As queixas já chegaram à cúpula do governo.

Apoios fake

Com os péssimos índices de governo e sem conseguir tirar do papel as obras prometidas, o governador Jerônimo Rodrigues parece agora tentar um outro caminho para criar fatos positivos: os anúncios de adesão de prefeitos. Já que não tem ponte Salvador-Itaparica, o Porto Sul, a Fiol, a Barragem do Rio Catolé, o Canal do Sertão e tantas outras promessas, o caminho é anunciar apoio de prefeitos. Só tem um problema nessa estratégia: alguns dos "novos" anúncios já haviam sido apresentados antes pela assessoria do governador e, outros, são da oposição e não devem migrar para o governo. O movimento visa, por um lado, causar constrangimento para os gestores municipais e soa como uma tentativa desesperada de criar fato positivo.

Meu passado me condena

O caso já tem virado piada até mesmo entre deputados governistas. Alguns se recordam que esse mesmo modus operandi foi utilizado com outros gestores, a exemplo do ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) e do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), que foram alvo das notas de "apoio" a Jerônimo e seguem na oposição. O consenso é que Jerônimo abusou das agendas institucionais para constranger e amedrontar prefeitos. Tática anti republicana e autoritária.

Gargalhada

A confiança da presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos (PSD), na reeleição em primeiro turno do governador Jerônimo Rodrigues virou motivo de piada nos bastidores e nas redes. Durante entrevista a uma rádio do interior, Ivana cravou o cenário como favas contadas, mas o entusiasmo esbarrou no próprio histórico recente: ela foi convidada ao menos duas vezes para compor a chapa como vice e recusou ambas. Em uma delas, chegou a confidenciar a interlocutores que não trocaria a reeleição para deputada por uma “aventura”. A contradição não passou despercebida. Um seguidor resumiu o otimismo de Ivana com sarcasmo: “A eleição está tão certa que ela correu da vice”, comentou, aos risos.

Enforcado

O governo da Bahia publicou uma portaria com nomes que pretende homenagear com a medalha Tiradentes, dentre os quais está o secretário de Administração Penitenciária, José Castro Filho. A proposta da honraria é reconhecer as personalidades que contribuem para o fortalecimento da segurança pública no Estado, distinção que parece uma piada diante do momento vivido pelo sistema prisional baiano. A lembrança ainda fresca da fuga de 16 detentos do presídio de Eunápolis, em 2024, segue repercutindo, inclusive com desdobramentos recentes que levaram o caso ao noticiário nacional, já que o principal líder do grupo chegou a ser localizado no Rio de Janeiro. A homenagem virou resenha nos corredores do governo, com a ironia de que ela cai bem em um gestor que já está enforcado.

Apelou

O secretário de Relações Institucionais do governo Jerônimo, Adolpho Loyola (PT), apelou legal ao publicar no Instagram uma imagem da plataforma de uma obra chinesa junto com projeção arquitetônica da ponte Salvador-Itaparica, fazendo sugerir que as obras já estavam em andamento e em estágio avançado na Bahia - o que não é verdade. O início delas, segundo anunciou o próprio governo, está previsto para 4 de junho. A jogada só reforçou a percepção de desespero do governo a ponto de apelar para uma ponte virtual, já que a de concreto (anunciada desde 2009) não é mais levada a sério.