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A fama de Jerônimo de impressor de ilusões, a parceria sem efeito e a força do interior na chapa da oposição

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 27 de março de 2026 às 05:30

Jerônimo tem mandado imprimir autorizações de obras solicitadas por prefeitos e lideranças
Jerônimo tem mandado imprimir autorizações de obras solicitadas por prefeitos e lideranças Crédito: Ilustração IA

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) se superou com sua fábrica de promessas. Não satisfeito com o volume de compromissos não realizados pelo governo, o petista criou uma nova modalidade para elevar suas promessas: uma impressora nas agendas. Segundo relatos que chegaram à coluna, Jerônimo determinou a integrantes da sua equipe para levar o equipamento para imprimir autorizações de obras solicitadas por prefeitos e lideranças durante os eventos em cidades do interior. Em uma agenda no interior, por exemplo, o prefeito fez um discurso agradecendo ao governador e aproveitou para fazer novos pedidos. Jerônimo, então, mandou imprimir novas autorizações de obras solicitadas pelo gestor.

Descrédito

A situação da impressora de ilusões tem irritado o staff do governador, uma vez que as novas obras prometidas não são discutidas nem aprovadas pela equipe técnica e não têm o mínimo de planejamento, nem mesmo financeiro. A teoria interna na base governista é que Jerônimo teme dizer não aos gestores. O problema é que, diante da falta de cumprimento, as promessas de Jerônimo já caíram no descrédito.

Silêncio conivente

A situação do leilão do antigo Centro de Convenções traz uma pergunta que não quer calar: onde estão os ambientalistas de plantão, os vereadores e deputados do PT e de partidos aliados e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU)? O leilão, marcado para esta quinta-feira (26), terminou sem interessados. Para a venda do equipamento, que está abandonado há quase dez anos, o governo Jerônimo incluiu uma Área de Preservação Permanente (APP) dentro do terreno. Moradores e associações têm alertado sobre o grave risco ambiental, mas nada tem sido feito pelos "especialistas" e políticos que tanto criticam questões relacionadas à prefeitura de Salvador. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) chegou a pedir a suspensão do leilão, mas os ambientalistas, políticos petistas e aliados e, principalmente, o CAU seguem em silêncio.

Cadê o povo?

O evento do governador Jerônimo Rodrigues em Itaberaba nesta quinta-feira (26) flopou. Lideranças da cidade confirmaram que o encontro, que celebrava o aniversário da cidade, teve presença de público muito abaixo do esperado. Vídeos da chegada da comitiva de Jerônimo mostram o evento completamente esvaziado. Inclusive, lideranças do município comentaram que, por conta da baixa presença de público, Jerônimo deu uma boa bronca no prefeito João Filho (PSD).

Testado e aprovado

O anúncio oficial do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como vice na chapa do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) foi não somente aprovado como comemorado pelas lideranças de oposição na Bahia. Além da reeleição histórica em 2024 com quase 92% dos votos e da forte influência que exerce na região, o prefeito fortalece a representatividade do interior na chapa. Oposicionistas apontam ainda a influência que Zé Cocá tem sobre prefeitos de todo o estado, uma vez que foi presidente da UPB.

A voz do interior

Para além de um movimento de composição eleitoral, a chegada de Zé Cocá à vice na chapa de ACM Neto ao governo da Bahia traduziu um retrato do humor que hoje predomina entre prefeitos do interior baiano. Cocá, mais que nenhum outro, parece personificar o ambiente de frustração dos gestores com as promessas não cumpridas pelo governador Jerônimo Rodrigues. Até seus apoiadores de 2022 já não demonstram disposição para repetir o gesto. Ao optar pelo caminho da oposição, Cocá vocaliza o sentimento de uma categoria que vê sua reputação ruir quando associada a um governador que troca obras e resultados pela aposta na simpatia. Cocá, assim, se tornou emissário de um descontentamento que até então era silencioso, mas que agora deve ganhar as ruas.

A vez do interior

Cocá também consolida de vez o caráter municipalista do grupo de oposição nesta eleição, trazendo a figura dos prefeitos para o centro de um novo projeto de desenvolvimento para a Bahia. Ele se soma ao senador Angelo Coronel (Republicanos), outro nome da chapa de ACM Neto com forte identidade municipalista e que construiu sua trajetória justamente no apoio direto às prefeituras. A mensagem que corre a Bahia é que o interior deixa de ser coadjuvante e passa a protagonista no irreversível movimento de mudança que emerge no Estado.

Mudança forçada

No lado governista, há quem diga que o anúncio de Zé Cocá pode mesmo forçar uma mudança na chapa de Jerônimo. Setores do PT acreditam ser melhor ter na chapa puro-sangue um nome mais ligado ao municipalismo, até mesmo do MDB, partido que hoje ocupa o espaço. Enquanto isso, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) segue sendo fritado publicamente já há algumas semanas. Nos últimos dias, novos nomes surgiram e parlamentares apostam que outros irão aparecer até a definição, que parece estar longe de ocorrer.

Aposta arriscada

Ao afirmar que a definição do vice ficou em segundo plano até o fim da janela partidária, o governador Jerônimo Rodrigues pode ter criado um dilema ainda maior, já que isso foi visto como uma manobra de tempo para forçar o MDB a permanecer na base, mesmo sem garantia de manutenção da vaga hoje ocupada por Geraldo Júnior. Afinal, a definição do vice pode ocorrer lá para a convenção partidária, pontuou um interlocutor. A jogada, apesar de soar esperta, é por demais arriscada e pode ter um rebote muito pior mais adiante. Sem saber se terá ou não lugar na majoritária, o MDB perde margem de negociação e monta sua nominata no escuro, sem conseguir calibrar alianças e candidaturas com base no peso real que efetivamente terá.

Procura-se base

Tem sido cada vez mais raro ver integrantes da base governista ocuparem o plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para fazerem a defesa política do governador Jerônimo Rodrigues. Desde pesquisas desfavoráveis até os protestos mais recentes contra a alta nos combustíveis, não se vê uma alma sequer militar pelo petista, com a exceção do líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), que ganhou até o apelido de lobo solitário, já que foi literalmente abandonado pelos seus 43 liderados. Esta semana, inclusive, o líder ficou sob pressão de motoristas e motociclistas de aplicativo que interceptaram a entrada da Alba para cobrar do Governo do Estado a retirada do ICMS sobre os combustíveis, a fim de segurar a subida dos preços.

Parceria sem efeito

Setores do governo, a propósito, avaliam que o governador Jerônimo Rodrigues pode pagar um preço político alto por tratar com aparente indiferença uma pauta que impacta diretamente a economia e o dia a dia da população. Até porque o governador baiano ignorou solenemente o apelo do presidente Lula (PT) para que os estados aliviassem a carga do ICMS, tal como houve renúncia de impostos federais por parte da União. A recusa de Jerônimo expõe uma contradição incômoda quanto à tão propagada parceria dele com Lula em favor da Bahia, que não se traduz em realidade quando os baianos mais precisam.

Acuado

Há quem aposte no risco de os protestos contra o preço dos combustíveis ganharem tração nos próximos dias e ampliarem o desgaste da gestão Jerônimo Rodrigues. A preocupação aumentou com a convocação de uma nova mobilização para a próxima segunda-feira, com previsão de bloqueios em pontos estratégicos de Salvador, até que o governo ofereça uma resposta concreta sobre o ICMS e/ou outras medidas que possam dar conforto aos trabalhadores nesse momento de crise. A constância de protestos, sob um gestor acuado e sem um plano de ação, tem potencial para instalar uma crise contínua, alertam aliados. Especialmente, em ano eleitoral.